Agenda


Março

Recife/PE - do dia 20 a 23 - Conte outra vez - Festival de Contação de Histórias -
dia 20 - 8h às 18hs - Oficina: Contar e encantar, a arte de contar e ouvir histórias.
dia 21, 10h15 - espetáculo Formosos Monstros. IMIP.
dia 23, 16hs - Palestra: A arte de contar histórias no século XXI. Centro Cultural dos Correios.

Recife/PE - dia 23 , 11h30 - Lercom - Congresso de Leitura e Contação de histórias de Pernambuco - Contação de histórias - Centro de Convenções de Pernambuco.

Foz do Iguaçu/PR - dia 30, 8h e 9h15 - III Seminário Municipal da Secretaria da Educação - Palestra: Contar e Encantar , pequenos segredos da narrativa.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Literatura e a leitura de autoajuda



Após anos mudando a casa de dentro chegou o tempo de mudar a casa de fora. Os últimos meses foram de cimento e tinta, poeira e cheiro forte, força bruta, teste para minha paciência e algumas confirmações sobre a natureza do ser humano. Apesar dos saltos tecnológicos e da velocidade com que se processam as coisas, ainda engatinhamos quando se pensa em consciência individual. Continuamos adormecidos, acomodados no conhecido, quase sempre fazendo mal feito o que deve ser feito, satisfeitos com o óbvio, o banal e o vulgar, nos apropriando do que é do outro, seja material ou espiritual.   
Ao escrever o brilhante texto O Segredo da Flor de Ouro, C.G.Jung cita as palavras do mestre Eckhart “devemos deixar as coisas acontecerem psiquicamente”, e afirma que “o caminho não é isento de perigo e o desenvolvimento da personalidade é uma das tarefas mais árduas”. Logo me vem à mente, um trecho do Upanixades, que apresenta a imagem dos dois pássaros: o pássaro que bica e o pássaro que olha. O primeiro está preso ao tempo, ativo na ação e passivo no olhar. Enquanto o segundo age como que fora do tempo, passivo na ação e ativo no olhar. Ao exercer esse olhar que percebe o todo, se estabelece a presentificação. Mas no cotidiano agimos quase sempre como o pássaro que bica, focados na rotina, sem exercitar o distanciamento, propriedade do pássaro que olha. Olhar e sentir-se olhado por si próprio, tal qual o segundo pássaro cria outra dimensão. Abre espaço para ser pleno, unifica-se a experiência de ser dois. Amplia-se a consciência de si. Mas estamos longe de nos inspirarmos nesses espíritos transdisciplinares.
Para mim, esse foi um tempo que aprendi a moderar e ser moderadora; usar uma fala leve para as coisas pesadas; denunciar a inconsciência sem cair na doutrinação, por meio de dogmas e ideologias; manter a qualidade dos pensamentos, reconhecer e controlar as energias emocionais. Para não sair do eixo, minha preferência foi pela leitura de autoajuda. Autoajuda sim, ainda que essa palavra possa arrepiar muita gente, provocando as piores associações. Alguém pode dizer, Jung não é autoajuda. É. De qualidade, mas não deixa de ser. E o que tem a ver a literatura com isso, se é certo também, que C.G.Jung não escrevia literatura? O fato é que a boa literatura acaba dando uma força, uma ajuda, para que toquemos bem nossa vida, porque, por um instante, um instante só, ela nos desgruda da realidade prática – espaço do pássaro que bica -  e por um  instante só permite que vejamos as coisas de outra perspectiva – espaço do pássaro que olha. Isso nos ajuda a entender, ver e sentir diferente. Isso altera a consciência.


domingo, 5 de fevereiro de 2012

Inauguração do Teatro Municipal Geraldo Cestari


por Marina Demoner
30/01/2012 09:32
O Município de Itaguaçu, através da Secretaria Municipal de Educação e Cultura tem a honra de convidar a todos para a Inauguração do "Teatro Municipal Geraldo Cestari", no dia 07 de fevereiro de 2012, às 18 horas, em Comemoração aos 97 Anos de Emancipação Política do Município, conforme programação em anexo

CLEO BUSATTO
Noites do Canto e do Conto- os mais belos causos e contos do povo itaguaçuense - Itaguaçu-ES
Livro sobre a realização das dez edições das Noites do Canto e do Conto será lançado no dia 11/02/2012 - sábado
O livro Noites do Canto e do Conto – os mais belos causos e contos do povo itaguaçuense (CLB Produções) será lançado no dia 11de fevereiro - sábado, na semana de inauguração do “Teatro Municipal Geraldo Gestari”, às 19 horas. A publicação é um livro que narra fatos da vida de itaguaçuenses, de variadas localidades e também alguns causos que retratam o modo simples de viver desse povo, com traços de descendência italiana, africana, indígena, portuguesa, pomerana e alemã.
A publicação foi organizada pela escritora, mediadora em projetos de oralidade, leitura e literatura infanto-juvenil e contadora de histórias Cléo Busatto (Curitiba-Paraná). A história teve início em 2006, a partir da oferta de Formação com o contador de histórias e escritor capixaba Fabiano Moraes, para um grupo de professores, da rede municipal de ensino, de onde surgiu um projeto de leitura e o desejo de produzir um livro que retratasse as histórias de vida dos itaguaçuenses.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Mínimas (2)

Barry

Agir com livre-arbítrio não significa levar a vida com rédeas curtas, ansiando pelo controle absoluto das situações, mas sim, soltar e acreditar na mão cósmica do Divino. Ufa! Isso pede desapego, coragem e confiança. É tarefa das boas. Mas também, se fizer direitinho a gente tem uma recompensa à altura: liberdade, harmonia e paz interna.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Mínimas (1)


Mason
A consciência é a minha contribuição para uma realidade mais harmônica, dizia ela   cheia de si, esbanjando sabedoria. Logo depois, na esquina, colocou a cabeça pra fora da janela do carro e esparramou toda a sua raiva sobre a motorista do veículo à sua frente, que não conseguia fazer uma manobra rápida pra estacionar roubando cinco minutos do seu  precioso tempo de consciência. 

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Renascer


Meu gato me acordou cedo, 4h30. Disse, hora de renascer, abra os olhos, o mundo aqui de fora lhe espera. Miau miau miau. Despertei e me abracei. Tão cedo. Por que alguém resolve nascer a essa hora? 
Tão mais fácil às 9, 15, 18. Quatro e meia, veja só! Está bem, vamos ativar esse centro de energia interior, despertar meu sol e receber esses impulsos benéficos, afinal não é todo dia que se aniversaria. 
Para mim o ano começa hoje, não tem folhinha que me convença do dia 1º de janeiro. Para a astrologia começa em março, no dia 21. Para os chineses, no início da primavera, janeiro ou fevereiro, mas não tem dia certo. Muito mais coerente, recomeçar com a natureza. Também penso assim.
O curioso foi esse miado insistente do Mel, logo tão cedo. Durante anos, considerei que nasci às 4h30. Hora de certidão de nascimento. Acostumada com o mapa astral, Capricórnio ascendente Sagitário. Anos mais tarde, minha irmã, dez anos mais velha que eu, chegou e desfez minha crença ao dizer, imagina, que você nasceu de madrugada. Era quatro e meia da tarde. Eu lembro muito bem. Estava um calor infernal. Eu estava na casa da Maria Enir e vieram avisar que minha irmãzinha havia nascido. Corremos pra lá. E encontramos uma menina linda, cabeluda, que só vendo. Tão pequena e aquele cabelo todo cacheado....
????? Então tá, pensei. Lá vou eu refazer o meu mapa. Agora sou uma capricorniana com ascendente em gêmeos. Não é que tem a ver? Mas que drama. Vou ter que me acostumar com  outra personalidade. Deu tanto trabalho pra edificar essa. Ufa!
Que será que o Mel quis me dizer hoje? Bom, uma coisa eu sei, foi no dia 5 de janeiro e pronto. Rejubilo-me com meu renascimento, grata por estar de bem com a vida, grata por estar viva e estar bem.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

O livro que fechou o ano

Noites do canto e do conto - os mais belos causos e contos do povo itaguaçuense.

Quando fui convidada para a Feira Literária e para a Semana de Formação dos Educadores, eu fui espiar Itaguaçu na rede. Logo que abri o site, duas imagens atraíram meu olhar. Seu entorno e um grupo de senhores tocadores. Ao lado estava escrito, Noite de Contos de Santo Antonio. Logo meu santo de coração. Naquele momento pensei, que gostaria de ter vivido com eles aqueles instantes de magia. Sou uma mulher que respira a oralidade, pensa a oralidade e oraliza seus afetos. Que presente seria estar presente. E não é que a magia se realizou? Sou convidada pela Secretária de Educação, Cultura, Esporte e Turismo, Sonia, uma mulher com jeito de fada-madrinha, para organizar esse livro, e apresentar Itaguaçu aos itaguaçuenses. Veja só, que responsabilidade. Organizar as histórias que soaram nas noites dos cantos e encantos.
É mesmo um orgulho para Itaguaçu e seus moradores saber que suas histórias fizeram diferença no panorama cultural do Brasil. Os relatos registrados na Noite do Canto e do Conto, antes de ser uma manifestação regional e particular, revelam a alma do povo brasileiro. São histórias de amor, coragem, conquista, susto, esperança, ousadia, confiança na vida e no ser humano. Registrar a história através da voz dos sujeitos que a constroem é um caminho seguro para uma cultura de paz.
O projeto Noite do Canto e do Conto foi classificado em 3º lugar, na Categoria Gestor Público, da 3ª edição do Prêmio Cultura Viva, do Ministério da Cultura, destinado a estimular e dar visibilidade às iniciativas desenvolvidas no âmbito da articulação entre cultura e comunicação. Uma das histórias

por Florizete Luzia Gabler Thomazini
Moradora do Laranjal, lavradora, nascida 21/08/1965.

O meu bisavô Francisco Dalprá, é natural da Itália. Ele veio de lá com treze anos. Era uma criança muito levada. Após seis meses embarcado num navio, chegou à Vitória. De lá, seguiu para Santa Teresa. Nesse dia aconteceria o batizado de Ida. No caminho para a igreja, Francisco segurou a criança no colo. O pequeno bebê fez xixi em Francisco. Neste instante, o garoto retirou do bolso um lenço e enxugou o bebê dizendo que aquela criança seria a sua esposa. Passaram-se treze anos e a fala se concretizou. Ida casou-se com Francisco. Na época ele estava com vinte e seis anos. Desta união, muitos filhos nasceram e somente a morte os separou.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

O Menino e sua Luz


Domingo, 18. Animada com o sol que apareceu por aqui fui andar. Ainda não havia escrito o boletim de dezembro, e a Carla perguntando, não vai enviar? Cheguei mesmo a pensar que não enviaria. Eu me via com pouco tempo pra pensar nele. Tempo de fora e tempo de dentro. Mas logo esse? E as pessoas que gostam do que escrevo? Eu não lhes deixaria meu presente? Não lhes desejaria feliz Natal?
Confesso que o apelo comercial de final de ano me desagrada. Esse tal de compra compra compra ... corre corre corre ... me tira do eixo. Esforço-me pra manter a harmonia, pois as energias do entorno tentam demover-me do centro, pra colocar-me no movimento periférico do coletivo. É um momento de fragilidade, muito por que aniversario no início do ano. Digo que estou fechada pra balanço. Ainda assim me misturei e tudo estava turvo.
Hoje o sol mostrou o caminho. Pedi luz e minha alma acendeu-se, tocada pela estrela de Belém, e ela disse, fale sobre o nascimento do Menino e seu significado. Quando jovem fiz uma escolha, nada fácil, mas a verdadeira naquele instante da minha vida. Abdiquei de ser mãe. Mesmo que a sociedade me cobrasse pela maternidade, como se só ela validasse a condição do meu feminino, mantive-me fiel ao meu espírito, com a sapiência, ainda que frágil, que eu poderia exercer a amorosidade e o acolhimento, qualidades do maternal, em diversas situações, embora não fosse gerando um filho no meu ventre. E foram vários nascimentos.
E agora, que o Menino está pra chegar, Ele me lembra de que nasceu em mim muitas vezes, e nasce sempre que crio uma história e a ofereço pros tantos meninos espalhados pela terra. Nasce, cada vez que um deles sorri e me abraça. Quando comungo com os mistérios de todos os nascimentos, seja de uma flor, seja de uma criança. E a cada ano, nessa data, Ele renasce ao me lembrar de que o amor é o caminho que me leva pra casa e que a Luz sempre retorna.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

A estrela de Natal

http://revistaescola.abril.com.br/fundamental-1/estrela-natal-646955.shtml

Era noite da Natal. Os três andavam pela estrada vazia. O pai, a mãe e a filha. Caminhavam sem rumo, de mãos dadas. Não tinham casa, seu lugar era o mundo. Paravam aqui e acolá. Comiam o que era oferecido, o que a terra lhes dava. Os três andavam esperançosos, olhos no horizonte, atentos para o lar que a qualquer hora iriam encontrar.
O pai punha a menina na garupa e a mãe cantava uma melodia antiga que falava sobre a estrela de Natal. A menina quis a estrela como presente de Natal. O pai falou que ela podia pedir ao vento, já que eram amigos. Ele sempre aparecia nessas andanças e a menina se distraia do cansaço das pernas conversando com o vento, que respondia de pronto e animava a menina a continuar.
- Sua casa está logo ali, sua casa está logo ali - soprava ele.
Ou quem sabe pedir ao céu, continuou o pai. O céu tem muitas estrelas e pode lhe dar uma de presente. Logo em frente viram um casebre simples. A chaminé soltava fumaça. Resolveram parar, quem sabe um copo de água.
- Sejam bem-vindos, sejam bem-vindos - exclamou a mulher da casa. O homem da casa ofereceu um banco para os três e o bebê, que brincava no chão de terra batida, sorriu e estendeu os braços para a menina.
Ela abaixou-se e passou a mão na cabeça careca do bebê. Ele era lindo, tinha bochechas gordas e ria. A menina acarinhou o bebê que se deitou no colo dela. Um tempinho só, mas tão confortante. Uma eternidade. Os três cearam com os outros três. Comeram raízes brancas, frutos vermelhos, sementes marrons, pão quentinho, e beberam chá de ervas perfumadas. Despediram-se desejando feliz Natal e tornaram a caminhar.
Logo adiante, a mãe lembrou-se de um bichinho de pano que fizera para a filha, quando tinha a idade do bebê. Carregava o objeto na trouxa. Voltaram para entregar o presente à criança, mas a casa não estava mais lá. Nenhum vestígio do fogo, nenhum vestígio dos três. No chão batido a menina reconheceu a marca da mãozinha do bebê e ao lado dela uma estrela brilhante, a mais linda que ela já viu.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Ecos da obra


Certa vez ouvi um leitor perguntar a um escritor, quando ele se deu conta de que era de fato escritor. O cara riu, pensou e disse, que apesar de já ter publicado vários livros, a constatação veio no dia que foi contemplado com um reconhecido prêmio. Naquele momento me questionei, e eu, quando me descobri escritora? Respondi a mim mesma que foi no instante que peguei na mão, o primeiro exemplar do meu primeiro livro, Dorminhoco, sentada no degrau da portaria do prédio onde morava, ansiosa que estava por abrir o pacote que acabara de chegar pelo correio. Olhei pro Dorminhoco e disse, sou uma escritora.
Recentemente revi essa afirmação. Nessas andanças de caixeira-literária tenho me encontrado com os leitores em eventos de escolas, feiras, salões, e em cada um, uma boa surpresa ao sentir o eco da minha produção. Muitos (geralmente crianças e jovens leitores) traduzem os livros através de atividades na área das artes plásticas, alguns com resultados surpreendentes. Dia desses uma turma apresentou A história da dona Cotinha, Tom e Gato Joca, numa versão cinematográfica artesanal. Eu me tornei mais criança que eles e pulava de alegria.
Porém, perceber como O florista e a gata entusiasmou um dos grupos, a ponto de eles pensarem sua realidade pelo viés da arte, me levou às lágrimas. Nesse instante, eu resignifiquei minha prática e me senti uma autora de fato, pois o livro se tornou obra, coisa viva e pulsante, sujeito com alma, um “fazedor de vínculos”. Ele não só foi aberto e lido, como chegou ao universo do leitor e repercutiu na sua vida sugerindo novas formas de olhar, indagações, deduções. Ainda que, teoricamente eu soubesse dos efeitos da literatura na vida das pessoas, por conta da leitura dos tantos textos críticos que nos mostram as ligações afetivas e as transformações que ela sugere, talvez, nunca antes isso tivesse feito tanto sentido.
Naquele instante, percebi as crianças realizando uma operação complexa, holística, que unia os conceitos, às vivências e percepções. Ao dar corpo aos seus sentimentos, por meio das relações significativas estabelecidas com a  leitura do livro, elas chegaram, ainda que sem saber, a importância da dimensão da estética nas suas vidas. Lindo. Eu agradeci e chorei.   

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