29 de jun de 2013

Histórias para reencantar o mundo



    No livro A arte de contar histórias no século XXI (Vozes, 2006), eu disse que o século XXI carrega o desafio de reencantar o mundo e que, por meio do imaginário e suas manifestações, a contação de histórias, por exemplo,  é possível retornar à matéria humana e ressensibilizar o entorno e as pessoas.

    Dia 29 de junho de 2013. Hoje iniciamos uma ação que tem esta proposta. Sensibilizados por uma história que tem alma, podemos sensibilizar o outro, o entorno, a cidade, e por aí vai.
O encontro foi no Passeio Público, que vem sendo palco de humanização de Curitiba. Este evento se agrega ao movimento, Histórias para transformar o mundo, da Red Internacional de Cuentacuentos. Também é minha  contribuição a este movimento maior que vem mudando a cara do Brasil.
   O evento-bebê foi encantador. Reunimos 3 contadores de histórias, eu, Marilza Conceição e Guga Cidral. Três crianças com pais disponíveis para ouvir; dois visitantes do Passeio que pararam ao receber o convite; André Malinski, Eliane e Manoel. Um andarilho, Ricardo, apareceu por lá (um excelente contador de histórias), mas não ficou. Pediu desculpas, mas ele também ia contar histórias pelo Passeio; algumas pessoas ouviram de longe. 
   O que não foi surpresa para nós, foi a recusa de várias pessoas. Elas não paravam nem sequer para receber o convite, porque não tinham tempo - ainda que estivessem passeando por lá,  ou rejeitavam o chamado com um misto de medo e espanto. 
   O convite foi lançado. No último sábado de cada mês, às 11 horas, junto a ponte da entrada principal do Passeio Público de Curitiba, é o local do encontro. Venha e conte a sua história.

15 de jun de 2013

O olhar

Taquille, Peru
   Quando viajo olho para o alto. Lembro-me de uma conversa com um amigo durante uma viagem que fizemos juntos à Nova Iorque há muitos anos. Eu, espantada e encantada com cidade, enquanto ele dizia, Nova Iorque é uma cidade para se olhar pra cima.
   De fato, ao levantar os olhos, eu me dava conta da dimensão do World Trade Center,  da torre da Chrysler, do Empire State, da forma arrojada do Flatiron surgindo à minha frente naquela esquina da 5ª Avenida.
   Desde então, quando passeio por lugares que não conheço, olho para cima e quanta surpresa isso me reserva. Outros edifícios iriam me surpreender, não pelo seu tamanho, mas pela arte emoldurada nas alturas. Dragões, seres alados, gárgulas, anjos, personagens míticos pousando no topo dos prédios com seu carro divino. Poesia estampada pertinho do céu.       Descobri portais que se abriam para revelar a alma de um povo e me colocar num imaginário totalmente novo para mim.
   Ao mirar para o alto pode se ver meteoritos, sim, Marta, como o que vi na Patagônia.  Uma luz cruzava o céu ao entardecer. Pasmos diante do inusitado, tocamos em sua direção e fomos vê-lo desaparecer no horizonte, além do mar. Ao ler o jornal no dia seguinte ficamos sabendo que era um corpo celeste visitando a terra.
   É só elevar os olhos. E se for à noite dá para relembrar as caras da lua, da minguante à cheia. O céu está em verdade aberto, vamos a ele, já disse Ovídio no texto que reproduzo na abertura do meu livro Pedro e o Cruzeiro do Sul.
   Porém, a despeito do meu olhar treinado a se direcionar para cima durante as viagens, eu me esquecia deste olhar no dia a dia, na minha cidade. Quando me dei conta deste contrassenso passei a olhar para o alto, sempre, e ver belezas onde antes não via, como pé de fruta na calçada. Fruta madura ao alcance da mão no centro da cidade grande.
   Inconscientes, tornamos o dia a dia uma mesmice e passamos por ele sem perceber que o cotidiano traz em si novidades que dão alento para a alma. Agora, treino meu olhar para ver o por do sol da janela da minha casa, pelo corredor que abro com os olhos por entre os prédios. Róseos azuis dourados tingindo a sala. Deixo-me banhar pelas luzes filtradas pelas cortinas. Elas enchem de esperança o meu espaço.
   Aproprio-me desta imagem, olhar para o alto,  como uma metáfora para a ascensão da consciência individual e percebo que estamos tão acostumados a olhar para baixo, quando não para nosso próprio umbigo, que esquecemos que ao olhar para cima veremos estrelas.

9 de jun de 2013

As histórias de Cléo lota Centro de Convenções




    Escritora Cléo Busatto, de Curitiba, encantou o público com literatura infantil. A Biblioteca do Papai Quinha, da Comunidade Cristã Social Beneficente (CSCB), promoveu o espetáculo de literatura em Mandaguari, na noite de quinta-feira (6). 
   A entidade trouxe pela primeira vez ao município Cléo Busatto, escritora e profissional em contação de histórias conhecida nacionalmente. Por uma hora, o público que esteve presente no Centro de Convenções Dr. Décio da Silva Bacelar mergulhou em um mundo de fantasia.   
   Sozinha no palco e sem grandes recursos de iluminação e audiovisual, apenas a técnica de contação, Cléo envolveu pessoas de todas as idades, com histórias dos livros de autoria dela: Paiquerê, Pedro e o Cruzeiro do Sul, O Florista e a Gata e Dorminhoco.

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