29 de abr de 2010

Semana Literária e Cultural no Imaculada



Essa semana acontece o evento literário e cultural do colégio Imaculada (Curitiba) e estive lá com o espetáculo de narração oral Formosos Monstros.
Estou dando os primeiros passos com essa produção e já pude sentir como vai ser: prazerosa, tanto para fazer, como para assitir. Eu me divirto fazendo e eles se divertem assitindo.


As histórias promovem o reconhecimento dos sentimentos. Isso já foi dito. E sentido. Nesse trabalho, elas elaboram o medo. Justamente por se tratar de monstros, personagens que povoam o imaginário da criança desde cedo, como representação de coisas ruins e que ameaçam a sua integridade, elas provocam uma infinidade de sensações e despertam afetos ainda não nomeados ou familiares. Mas, necessário para o trato com o mundo interno.

O espetáculo sugere uma interação da narração ao vivo, com a narração no meio digital,  pesquisa que venho dando corpo nos últimos anos. Percebi que isso cria um distanciamente, interessante, para essa característica de narrativa. Na hora do vídeo, o espaço cênico vira um cineminha, e como não é a "contadora de verdade" que está narrando, dá para fazer comentários com o coleguinha do lado. Ouvi vários. Todos relacionados com os contos. Não era papo descontextualizado. Coisas do tipo "isso eu não sabia", ao assitirem o conto do basilisco. E muitos "nossa!", e caras... e interjeições. Uma riqueza.



Foi bom. Obrigada amigos do Imaculada, por estar com vocês. Obrigada crianças, pelo carinho na apresentação. E assim foi.

26 de abr de 2010

Comentário de uma pequena...

... no colo do pai, durante a apresentação de histórias, que acontecia ao vivo e em vídeo, na tela de cinema "pai, mas ela tá lá e aqui?"

25 de abr de 2010

Segundo dia de Formosos Monstros





Hoje foi ainda melhor que ontem. Adoro contar as histórias dos monstrinhos. Adoro assustar crianças (risos). Eu faço de conto que assusto; elas fazem de conta que acreditam e acaba tudo num bom divertimento. Gente grande também se diverte. Pai e mãe de sorriso orelha a orelha. Sai todo mundo alegre e feliz. Quer coisa melhor? Quer profissão mais afortunada? (mais risos...)


Tinha tanta gente lá fora querendo entrar, que foi solicitado aos pais que segurassem as crianças menores no colo, para que outras pessoas pudessem entrar. E todos de DVD na mão.




A Fátima não conseguiu assistir, ficou tristinha e eu também. Mas você verá Fátima, prometo. Autógrafos na Livraria Travessa.



     E aqui, antes da apresentação ...


 Com Vilma Vargas; Isabel Paranhos, do Cineduc e Fátima Campilho. E assim foi.



24 de abr de 2010

Formosos Monstros - Centro Cultural Banco do Brasil - Sábado

O sábado amanheceu coberto por nuvens de chuvas. O Cristo oculto entre elas. Dia de histórias. Sala de cinema cheia, 140 pessoas. Gente voltando. Crianças entrando com o DVD nas mãos. Projeto do Cineduc,  formação de platéia. Belo projeto. A criança assiste filme de qualidade e todo mês vem um convidado: um dia um músico, noutro escritor, contador de histórias - ótimo, minha vez de ocupar esse espaço. Recebem um presente de arte: cd, livro. Hoje foi a vez do Formosos Monstros. Toda atenção voltada pras histórias e as perguntas "porque não tem o minotauro? e lobisomem?" Ufa! Seria preciso meia duzia de dvds pra falar de toda essa turma. Aconteceu, lindo. Amanhã posto fotos e compartilho com vocês mais um pouco desse mundo dos encantados.

23 de abr de 2010

Viva São Jorge - Salve Ogum

Hoje é dia de São Jorge, matador do dragão da maldade. O Rio parou. Salve Ogum guerreiro. Salve todas as forças destruidoras de pre-conceitos e ruindade. E quem é guerreiro mata um dragão por dia. Então tá. Que viva os Formosos Monstros que amanhã tem mais. Agora vou saudar Ogum, vestida com as cores e as armas de Jorge.

20 de abr de 2010

Segunda é dia do décimo manifesto...

 
Contar histórias expressa e corporifica o simbólico, tornando-se a mais pura expressão do ser.


Busatto, Cléo. Contar e encantar - pequenos segredos da narrativa. Vozes, 2008


17 de abr de 2010

Os monstros na Lorena



 Ser envolvida pela energia da criança desmonta qualquer tentativa de ataque dos monstros. O lançamento do DVD-ROM foi divertido e melhor ainda, foi ver as pessoas queridas.


Criançada largada nos pufs, olhão arregalado. Às vezes a mãozinha cobria os olhos. Era o medo chegando, trazendo consigo uma mensagem de "quero mais". A vontade de ficar e interagir com os monstros é mais forte que o medo que ele dá.


Lá pelas tantas, surpresa... a editora da Biruta chegou com meu novo livro...daqui a pouco eu conto sobre ele. 
Deixa eu curtir os monstros um pouco mais. Sábado e domingo que vem, tem monstro no Rio, no Centro Cultural Banco do Brasil. Quem for ganha um DVD. Olha só, assiste um espetáculo gracinha e ainda leva uma mídia de graça? Ah! Também vou aparecer por lá.....

12 de abr de 2010

Segunda é dia do nono manifesto...






Contar histórias é uma arte, porque traz significações, ao propor um diálogo entre as diferentes dimensões do ser.


Busatto, Cléo. Contar e encantar - pequenos segredos da narrativa. Vozes, 2008


7 de abr de 2010

Pedro, o Cruzeiro do Sul e seus leitores

Hoje estive na escola Energia Ativa em Curitiba para conversar com as três turmas de terceira série, que estão lendo Pedro e o Cruzeiro do Sul (SM).

Que delícia. Criança é um barato, é alegria em movimento. Vivem num tempo sem censura, uma descoberta atrás da outra. Puro encantamento.Aí a gente se encanta também, se pega descobrindo com eles. E os olhos das crianças? Vocês já perceberam como brilham? É a vida pulsando. E as crianças são lindas. Sempre são lindas.

Logo de cara um menino veio me dizer que se "embolotava" todo pra falar as frases difícies da avó do Pedro. Rimos muito, porque naquele momento, ele se embolotou mesmo, ao falar essa palavra, acho que uma mistura de embaralhar com embananar. Eu entrei na dança das palavras difícies de serem ditas, e quando me dei conta, estava confundindo ainda mais a comunicação, ao introduzir a palavra embolorar.

E a gente acabou fazendo graça e brincando com a sonoridade da fala da avó do Pedro, que dizia assim "era uma velha furunfunfelha de maracuntelha, junto com a moça furunfunfosca de maracuntosca, foram na roça furunfunfoça de maracuntoça..."

Quanta curiosidade existe nas crianças. Depois a gente cresce e vai esquecendo de ser curioso, se torna conformado e se acomoda ao conhecido. Eles queriam saber tudo: quais os sentimentos que eu vivi ao escrever o livro; se senti medo; se fiquei feliz; quanto tempo demorei para escrever; se me inspirei na minha vida; de onde surgiu a idéia do livro; porque o gato chama Mel; porque o Pedro é assim; porque, porque, porque.

E se revelaram ao falar das suas memórias, do primeiro banho de mar, dos olhares para o céu, no sítio do avô,  afim de localizar as Três Marias, o Cruzeiro do Sul.

Estava na hora de ir embora, um autógrafo, um beijo e o agradecimento, mesmo silencioso,
por compartilhar um instante tão raro com o meu pequeno leitor. Eba! E assim meu livro se concretizou

Obrigada Cristiane, Luciana, obrigada Paulo.

5 de abr de 2010

Segunda é dia do oitavo manifesto






A arte de contar histórias nos liga ao indizível e traz resposta às nossas inquietações.


Busatto, Cléo. Contar e encantar - pequenos segredos da narrativa. Vozes, 2008

4 de abr de 2010

Viejos

Bateu a coceirinha de vontade de escrever. E escrever sobre bonecos que contam histórias. Velhos que contam suas histórias. No início do espetáculo Viejos, o ator-manipulador-criador do El Titiritero de Banfield, Sergio Mercurio, nos lembra que os velhos não gostam de ser chamados assim, pois consideram depreciativa, essa forma de invocação. Para Sergio, ela mescla carinho e respeito.
E eles entram em cena. Seres feitos de espuma e latéx, embalados por tango e com enchimento de humanidade, humor e afetos, seja uma rabujice assumida, uma alegria contida, uma esperança que insiste em alimentar corpos já deformados pelo tempo. E são apaixonantes.
Logo no primeiro quadro, a gente se dá conta que nessas criaturas existe alma. O primeiro velho que se apresenta parece ser um retrato do nosso pai. Saudosista e autoritário, lembra ao jovem-manipulador, que no passado não tinha tanto  "maricas", como hoje. "Muito hormônio nas galinhas", justifica ele. Hilariante.
E de nada adiante o ator querer discutir o preconceito diante da opção sexual. "São todos maricas", grita o velho rabujento.
Mas o velho sabe de muita coisa. Lá pelas tantas o jovem cita uma poesia de Borges. "Poesia de Borges?", estranha o velho, enquanto coça a cabeça e pede que ele a recite. E o rapaz, que não a sabe de cor se esquiva, tentando explicar a idéia do poema. O velho se irrita. "Não quero saber da idéia, quero a poesia, declame!" O rapaz pensa conhecer Borges, mas está citando qualquer coisa que circula na internet, com a autoria do conterrâneo do velho, e é desmascarado por um conhecedor da literatura desse escritor.
E ficamos sabendo mais um pouco do universo daquele personagem trôpego e com dificuldades de respirar. Eles vão nos envolvendo, num diálogo ágil, nervoso às vezes, pontuado por tempos mudos, reflexões e tanta ternura, que provoca a compaixão.
Então, o manipulador pede ao homem, que esse lhe conte sua  história. O velho faz uma pausa, olha para longe, com aquele olhar envolto pela vacuidade, de quem já viu e viveu tanto mundo e responde, "minha história? Ontem eu estava brincando ali atrás, hoje estou aqui."
Nessa hora dá um aperto no peito e uma vontade louca, de ir lá e abraçar o velho.
Mais tarde entra Edwiges, atrás da "borboletinha", falando com seus dois anjos, um de cada lado, enquanto na platéia, ninguém os vê, para a perplexidade da velha e meiga Edwiges.
Depois vem outro e outros mais, cada um com sua história, a tocar em algum espaço do nosso ser. Sempre envoltos por silêncios, feitos de reminiscências ou esquecimentos; de breves intervalos para olhar a vida. Momentos que nos convidam a olhar para o nosso velho adormecido e lembrar, que todos o carregamos dentro de nós.
Aí vem as coisas técnicas. O ator-manipulador, Sergio Mercurio, é um escandalo de sensibilidade e precisão na interpretação dos seus personagens. Ele doa aos bonecos de espuma e latéx, aquilo que nos encanta e nos faz sonhar: mito e poesia.

É prá ver. Está no Teatro do HSBC, em Curitiba, até 11 de abril

1 de abr de 2010

A arte de contar histórias no século XXI - tradição e ciberespaço

Hoje, eu gostaria de falar da contação de histórias, porém ancorada no suporte digital. Tem disso também. Na contemporaneidade, ela se afirma como uma modalidade artística e configura-se, como forte aliada na formação de leitores. Frequentemente é solicitada para animar - dar ânimo, alma - aos programas de leitura e eventos, onde o livro está presente.

A sua função pode ter se alterado nesta longa trajetória que se confunde com a idade do homem, mas não a sua característica expressiva. As marcas da oralidade sopradas pela voz do narrador, seja o de outrora ou o atual, continuam hipnotizando os ouvidos atentos. E o caminho, que se iniciou ao redor da fogueira, passou pela beira dos rios, escorregou aos pés da cama, chega agora ao ciberespaço , espaço viável para a construção de sentidos.

Fazer uma leitura da contação de histórias no século XXI implica em olhar para a arte digital e suas condições estéticas. Como se apresenta a narração oral no computador? Quais os gestos expressivos que podem envolver o internauta-navegador? Qual o tempo da narrativa digital? No que esse tempo se diferencia do tempo da narração presencial? Qual o ritmo que a narração oral apresenta, quando se apropria desse suporte para se expressar?

Se as perguntas são muitas e algumas vezes ainda sem resposta, uma coisa é inquestionável: à medida que as linguagens se transformam, se expandem, desdobram e se tornam mais elaboradas, mais sentidos elas sugerem ao leitor, que pode ver-se diante de uma mudança de horizonte, segundo as premissas da Estética da Recepção.

Minha experiência com a narração oral de histórias no meio digital tem como resultado a produção quatro CD-ROMs: Contos e encantos dos 4 cantos do mundo; Lendas Brasileiras, Nos Campos do Paiquerê e o último, recém-lançado, Formosos Monstros, um game, que apresenta essas personagens bizarras criadas pelo imaginário popular.

Sem querer dar respostas antecipadas às perguntas aqui lançadas, diria que há caminhos, ou melhor, mares a serem navegados por quem deseja explorar as possibilidades da contação de histórias no século XXI. O ciberespaço é apenas uma delas e voltarei a esse assunto numa próxima postagem, quando vou falar sobre a experiência de construção dessa tecnologia lúdica e educacional.

Mas, não importa o suporte, não importa o local: se junto ao fogo, às margens do rio, ao redor da cama ou na frente de um computador. O que envolve mesmo é uma história bem narrada. E a arte de contar de histórias, tal qual um camaleão, se adapta ao tempo presente, por meio da voz do sujeito-contador, para nos fazer sonhar mais uma vez, mesmo que seja em frente ao computador.

 Clicando na capa dos CDs, ao lado, você poderá assistir um vídeo de cada um.

Foto: Cléo Busatto. Crianças apreciando o CD-ROM Lendas Brasileiras durante o projeto Raízes Brasileiras no espaço cênico Pé no Palco, Curitiba.

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