1 de abr de 2010

A arte de contar histórias no século XXI - tradição e ciberespaço

Hoje, eu gostaria de falar da contação de histórias, porém ancorada no suporte digital. Tem disso também. Na contemporaneidade, ela se afirma como uma modalidade artística e configura-se, como forte aliada na formação de leitores. Frequentemente é solicitada para animar - dar ânimo, alma - aos programas de leitura e eventos, onde o livro está presente.

A sua função pode ter se alterado nesta longa trajetória que se confunde com a idade do homem, mas não a sua característica expressiva. As marcas da oralidade sopradas pela voz do narrador, seja o de outrora ou o atual, continuam hipnotizando os ouvidos atentos. E o caminho, que se iniciou ao redor da fogueira, passou pela beira dos rios, escorregou aos pés da cama, chega agora ao ciberespaço , espaço viável para a construção de sentidos.

Fazer uma leitura da contação de histórias no século XXI implica em olhar para a arte digital e suas condições estéticas. Como se apresenta a narração oral no computador? Quais os gestos expressivos que podem envolver o internauta-navegador? Qual o tempo da narrativa digital? No que esse tempo se diferencia do tempo da narração presencial? Qual o ritmo que a narração oral apresenta, quando se apropria desse suporte para se expressar?

Se as perguntas são muitas e algumas vezes ainda sem resposta, uma coisa é inquestionável: à medida que as linguagens se transformam, se expandem, desdobram e se tornam mais elaboradas, mais sentidos elas sugerem ao leitor, que pode ver-se diante de uma mudança de horizonte, segundo as premissas da Estética da Recepção.

Minha experiência com a narração oral de histórias no meio digital tem como resultado a produção quatro CD-ROMs: Contos e encantos dos 4 cantos do mundo; Lendas Brasileiras, Nos Campos do Paiquerê e o último, recém-lançado, Formosos Monstros, um game, que apresenta essas personagens bizarras criadas pelo imaginário popular.

Sem querer dar respostas antecipadas às perguntas aqui lançadas, diria que há caminhos, ou melhor, mares a serem navegados por quem deseja explorar as possibilidades da contação de histórias no século XXI. O ciberespaço é apenas uma delas e voltarei a esse assunto numa próxima postagem, quando vou falar sobre a experiência de construção dessa tecnologia lúdica e educacional.

Mas, não importa o suporte, não importa o local: se junto ao fogo, às margens do rio, ao redor da cama ou na frente de um computador. O que envolve mesmo é uma história bem narrada. E a arte de contar de histórias, tal qual um camaleão, se adapta ao tempo presente, por meio da voz do sujeito-contador, para nos fazer sonhar mais uma vez, mesmo que seja em frente ao computador.

 Clicando na capa dos CDs, ao lado, você poderá assistir um vídeo de cada um.

Foto: Cléo Busatto. Crianças apreciando o CD-ROM Lendas Brasileiras durante o projeto Raízes Brasileiras no espaço cênico Pé no Palco, Curitiba.

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