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Olá amigos, vou desativar as postagens neste blog. Agora posto no meu site. Veja o endereço e lhe espero por lá.
24 de fev. de 2015
9 de dez. de 2014
Intervalos
(1)
mulher pássaro
Ela
banhou-se em mel e salpicou sementes pelo corpo.
Vieram
os pássaros e pousaram nos seus ombros, braços, cabelos, ancas.
E
eram tantos. Bateram asas e ela voou.
(2) mulher árvore
Ela
enterrou seus pés na terra. Criou raízes. Veio o sol, veio a chuva.
Brotaram
galhos e folhas nas suas mãos.
Logo,
ela era toda galhos e folhas. Vieram os pássaros, fizeram ninho.
Veio
a primavera, surgiram as flores.
No
verão, os frutos amadureceram.
Ela
alimentou os pássaros pousados nos seus ombros e galhos.
(3) mulher flor
Ela
esperou por ele, sentada na pedra, na encruzilhada.
Veio
o sol, veio a lua, veio a chuva, veio o vento.
Seus
pés enraizaram. Lenta metamorfose.
Brotou
uma flor azul.
(4) estar com
Ela sabia que para estar com, era preciso encontrar um intervalo entre as
coisas que a afastavam de si. Sabia que precisava criar espaços de fazer nada,
instantes onde tudo é silêncio.
Que precisava de coisas que a levassem de volta
ao centro e gerassem entusiasmo.
Sabia que entusiasmo é andar com Deus na alma.
Que andar com Deus na alma
traz inspiração e a bem-aventurança.
Que bem-aventurança é estar com o outro.
Sabia também que só uma presença real definiria o estar com outro.
Sabia que para estar com o outro era preciso descansar no outro.
Para
descansar no outro era preciso viver as qualidades do estar com.
O olhar, as
vozes, as cores, os cheiros. Rituais de aproximação. Os tempos da palavra.
O
tempo do movimento e o tempo da quietude.
Ela sabia tantas coisas.
Mas não criava intervalos. Não andava com
entusiasmo.
Não descansava no outro. Não vivia as qualidades do estar com.
Pois é. Então, ela fez silêncio, banhou-se no mel. Criou raízes.
Colheu
uma flor azul. Descobriu-se de bem consigo.
Já podia estar com.
7 de dez. de 2014
Perto de nada, longe de tudo
Estive no sertão nordestino duas
vezes. Na primeira, apenas uma passagem, sem tempo para interagir com seu povo.
Na segunda, do jeito que gosto, parando, olhando, sentindo, conversando,
fotografando e aberta para a aceitação do desconhecido e do inesperado.
Não li Os sertões, do Euclides da Cunha, nem Grande Sertão: Veredas, do Guimarães Rosa. Tudo bem. Uma lacuna a
ser preenchida. Os livros estão aqui. Todos os dias olham para mim e perguntam,
e aí, quando você vai nos revelar para si?
Logo, não tenho nenhuma visão
poética e literária do sertão, a não ser as impressões que esta segunda viagem,
ao sertão do Rio Grande do Norte, para o vilarejo de Água Nova, deixou em mim. Quando
falo vilarejo, quero dizer, sua comunidade, que é quem faz a cidade.
E imediatamente surge uma imagem,
que contrapõe àquela mostrada pela mídia, do sertanejo como um homem árido, tosco
e duro, ainda que valente. Para mim o sertanejo é um homem de coração macio. Autentico.
Um sujeito acolhedor, risonho e falante, ainda que num primeiro momento possa
se mostrar rude. Acho que o sol, que surge brilhante às 5 da manhã, dissolve as
durezas. É o calor do sertão afetando o sujeito.
Viver no sertão é conviver com o
imprevisível e fazer dele o caminho. Nunca se sabe se amanhã vai ter água para
beber, ainda que saiba que o sol vai estar lá. Viver no sertão me lembrou os
olhares de alguns filósofos existencialistas, que veem o ser do homem, como
algo em construção. Na quietude necessária do corpo (por conta do calor), a
existência humana vai se construindo, instante a instante, perto do nada, longe
de tudo.
O que vi no sertão
Eu vi 430 km contando histórias. Eu vi o sol nascer e se por.
Eu vi açudes quase secos. Vi cactos e florestas de
carnaúbas.
|
Eu vi o vulcão do sertão tirando uma soneca.
Eu vi carneiros e fiquei sabendo que quando o bichinho nasce,
o macho se chama burrego, e a fêmea burrega. Quando cresce muda de nome. A fêmea passa a se
chamar marrã e o macho carneiro. E, depois que a marrã ganha filhotes se torna ovelha.
Eu vi o sertão.
Eu
vi Água Nova, sua arquitetura
e o jeito de ser do seu povo.
Eu vi um Ponto de Leitura que funciona com amor.
Eu vi crianças
encantadas e uma menina de 5 anos narrar com graça e com alma,
A formiguinha e
a neve.
Eu vi
crianças mareando meus olhos ao fazer uma apresentação inspirada no meu
Livro dos
números, bichos e flores.
Eu vi uma Orquestra
de Cordas, da Fundação Educacional Lica Claudino, do município de Uiraúna PB, a
470 km de João Pessoa, tocarem clássicos sertanejos, como Luiz Gonzaga, com
arranjo erudito, misturando as sofisticadas cordas com o popular acordeão.
Arrepiou.
Eu vi um
grupo de alunos da cidade de Tenente Ananias, RN, ali, pertinho de Água Nova,
soprando flautas e tocando tambores. Lindo. Eu vi colegas tocar, recitar,
cantar e palestrar para um público ávido por cultura.
Eu vi um grupo de militantes pela causa literária, realizando
a III Feira Literária de Água Nova, RN, município, que fica a 433 km de Natal.
Encabeçados por Sedima Ferreira França e Keutre Soares Bezerra, quase 40
voluntários passam o ano arrecadando dinheiro com bingos, rifas, festas, cursos; conseguem apoios da comunidade e recursos da
prefeitura, para viabilizar a vinda de artistas de todo o Brasil e fazer a festa. É pouco? Quantas
cidades grandes, com recursos, que não fazem sequer um evento literário.
Eu vi a casa vermelha e daqui, reverencio e saúdo Água Nova
e esses mediadores, sensíveis,
e sabedores do poder transformador da arte
literária.
8 de nov. de 2014
Intervalos (3) mulher flor
5 de nov. de 2014
43 instantes na Mário Quintana
9 horas da manhã, chove.
| Entre, a biblioteca é sua, |
| e conheça o autor |
| e a gata Cristal. |
| Seus filhotes de laço, |
| seus filhotes mandalas, |
| seus filhotes na escada |
| e seu filhote trepado no muro da noite escura. |
![]() |
| Cristal ganhou casa e mãe humana. |
| Coisas do O Florista e a Gata ... |
| ...miau! |
| Gatinhos da Mário |
| e os encantados das Lendas. |
| O livro dos sonhos.... |
| Que alegria para o autor |
| saber que seu sonho, |
| Dorminhoco, inspirou outros mais. |
| Arte de criança vira portfólio de gente grande. |
| A autora chegou |
| e ficou de boca aberta |
| com tanta belezura, |
| com tanta criança bonita, |
| com tanta micagem, |
| com tanta amor. |
| Ela contou histórias, |
| conheceu vampiro, |
| se aninhou, |
| fez pose com gatos, |
| se emocionou. |
| Click com a menina, |
| click com o menino, |
| e com a moça de fita azul. |
| Autografou |
| e se mascarou de gato. |
| Eles chegavam, |
| mais... |
| e mais... |
| sorridentes e amorosos. |
| Até bruxa apareceu por lá. |
| Isso que dá contar inventar histórias |
| e contar quando o olho se fechar. |
Faz a gente sonhar, imaginar!
| Esse povo da Mário Quintana! |
| Que manhã feliz |
| que as anfitriãs da festa preparam para nós! Programa Adote um Escritor da 60º Feira do Livro de Porto Alegre, na EMEF Mário Quintana, Restinga, Porto Alegre, Brasil, 4 de novembro de 2014. |
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