21 de fev. de 2018



"A fofa do terceiro andar" Cléo Busatto - Galera Record
"A adolescência tem um tempo todo próprio, e não é fácil acompanhar. Novos gostos, novas sensações, novo corpo..."
Depois de um dia difícil, com um tombo na aula de educação física, onde sempre era piada entre os colegas por causa do seu peso, Ana resolve comprar um caderno de 200 páginas para desabafar e começa a escrever seu diário. Não vejo a hora de saber mais sobre essa história, pra contar para vocês!!! 😍😍😍 Obrigada, Cleo Busatto!!! 💕💕💕




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5 de jan. de 2018

Renascer
Minha gata me acordou cedo, 4h30. Disse, hora de renascer, abra os olhos, o mundo aqui de fora lhe espera. Miau... miau... miau. Despertei e me abracei. Tão cedo! Por que alguém resolve nascer a essa hora? Tão mais fácil nascer às 9h, 15h, 18h10. Quatro e meia da manhã, veja só! Está bem. Vamos despertar meu sol interior e receber as boas energias dessa data, afinal não é todo dia que se nasce de novo.
Sempre considerei que o ano novo começa no dia do aniversário. Não tem folhinha que me convença do 1º de janeiro. Para a astrologia, o ano começa no dia 21 de março. Para os chineses, no início da primavera, janeiro ou fevereiro, não tem dia fixo. Muito mais coerente, afinal a primavera é o tempo do recomeço.
Dia de aniversário é isso, tempo dos fins e dos começos. Foi o que aconteceu dia 19. Limpei a casa de fora, limpei a casa de dentro, e me preparei para a virada de ciclo. Revi o que aprendi e o que insisti em não enxergar. Um aprendizado de grande valia é saber agradecer. E sou grata pelo ano, ele me proporcionou bons presentes.
Caí e levantei. Machuquei-me, mas também soube curar as feridas do meu coração. Emagreci os quilos a mais que entalavam na garganta. Amei e fui amada. Celebrei 365 dias de surpresas e bem-aventurança. Olhei para mim com mais atenção e carinho. Exerci a delicadeza e a flexibilidade. Revirei do avesso e curei minhas dores com afeto e chá quente. Soube aceitar a mão estendida, quando titubeei perante a vida.Andei no sol e mergulhei no mar. Senti o frio roçar meu rosto no alto das montanhas.
Dancei em noite de lua. Meditei. Orei. E ri, e ri, e ri.
Também chorei e soube me acalentar para acalmar. Olhei para as armadilhas, que me mantinham num estado de desânimo e desalento, e disse para elas que tinha coisa melhor a fazer. Fui corajosa. Olhei de frente para o escuro e trouxe de volta a beleza que eu havia perdido por lá. Encontrei-me e gostei do que vi. Amei a mim mesma e reafirmei que a pessoa mais importante para mim sou eu.
Estou viva outra vez.
(A Fofa do Terceiro Andar, Galera Record, 2015)

A estrela de Belém

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