11 de out. de 2012


É sempre um prazer poder falar de acontecimentos como o que houve no encontro de mediação de leitura De caso com a palavra, com uma metodologia farta, que envolveu todos os sentidos. A autora Cléo mostra que cada um é uma peça de extrema importância e de potencial imenso. Fui surpreendida por capacidades que eu imaginei não possuir. Durante o encontro cria se uma atmosfera de intimidade que deixa a todos encantados e redescobrimos que na simplicidade das ações estão seus verdadeiros sentidos. 

Cléo Busatto é a personificação da simplicidade. Usa toda a sua criatividade para que cada um possa ver suas potencialidades. Eu, por instantes fui uma fábrica de história e posso apostar que meus amigos também alcançaram situações que se viram como autores de uma nova história para nossas bibliotecas e claro, para as nossas vidas. Não se passa por um encontro como esse e continua a mesma pessoa. Espero rever a autora Cléo Busatto, que gosto de dizer que é minha mais nova amiga de infância, poderia falar a respeito de evento por horas, mas seria desperdício de encanto.


Grata, com carinho
Rosana Maria, Biblioteca Cidadã, Assaí

5 de out. de 2012



Foi um privilégio participar de um curso de alto nível cultural e com uma ministrante com tamanha capacidade de instigar a sensibilidade nos participantes. Comprovei o quanto é importante pessoas mediadoras de leitura literária serem sensíveis. Me senti virada no avesso, mesmo porque as técnicas apresentadas e os exercícios me possibilitaram isto. Fui sacudida e estimulada a me apossar das palavras. Reaprendi através do curso que a literatura é um caminho possível para o autoconhecimento. Sensação de que você pegou em minha mão, me preparou e no final do curso e como que dissesse siga em frente... Amei!!! Parabéns pelo bom trabalho e muito obrigada pela sua amorosidade. Beijos...


Um abraço,

Gilda Lopes Carreira
Bibliotecária Responsável pela Biblioteca do Mandacaru
Maringá - PR

19 de set. de 2012

Agentes de reencantamento (ou De caso com a palavra*)


Domingo, 16 de setembro. Estou na Costa do Sauípe, na Bahia. Pela manhã falei aos participantes do II Seminário Internacional de Educação Infantil. Comecei a palestra sugerindo aos participantes que fossem mais que mediadores de leitura. Propus que se tornassem agentes de reencantamento. Sim. Contagie o aluno com as histórias e humanize o mundo.
Ora, que ler é condição básica para o exercício da cidadania, isso ninguém duvida. Mas reconhecer a importância da subjetividade e da fantasia na formação do ser humano; compreender que a literatura apresenta uma linguagem simbólica, intangível e que por meio dela se revelam as diferentes dimensões do sujeito; que ela nutre o imaginário e favorece o acesso ao mundo interno e suas representações; que abre intervalos para o reencantamento do mundo e à dimensão do sensível, elemento fundamental para o ato do conhecimento, ainda não é entendimento da maioria. Portanto, cabe a nós, leitores e mediadores de leitura, dimensionar e revelar os efeitos e afetos da literatura na nossa vida e na das pessoas com quem atuamos.
Essa ação que se inicia na sensibilização para a escolha do livro literário, dificilmente ocorre sem o papel de um mediador, seja em casa, na escola, na biblioteca e noutros espaços leitores. Promover a leitura desse livro é tarefa para um profissional já sensibilizado por ela. Ele é quem vai indicar caminhos; compartilhar o prazer em ler; vibrar com as descobertas do leitor e validar a importância da literatura.
Formar leitores não é uma tarefa fácil. Exige do sujeito-leitor um trabalho contínuo e dedicado, a fim de desvendar os meandros do texto nessa vertiginosa escalada em busca dos significados, seja do mais simples ao mais complexo escrito ficcional. Para essa tarefa pede-se a intervenção de um sujeito-promotor-construtor-de-vivências com a literatura, capaz de colaborar para a formação de outro, o sujeito-leitor-crítico-e-atuante. Para isso precisamos de boas histórias. Para isso existe a literatura.

(*) Texto integrante da reflexão sugerida no projeto De caso com a palavra, evento literário concebido e desenvolvido pela escritora Cléo Busatto. Realização do MinC e patrocínio da Copel. Apoio da Secretaria de Cultura e Biblioteca Pública do Paraná. Sua ação estende-se por 16 cidades do estado e prevê a formação de bibliotecários, atendentes e mediadores de leitura das bibliotecas públicas, além de fóruns sobre leitura e literatura.

22 de ago. de 2012

Laranjas, geleia e literatura




No mais longo e mais frio inverno que tenho lembrança, minha alma endureceu e as palavras congelaram nos meus lábios. Eu as descongelei a beira do fogo cozinhando geleia de laranja e adocei a alma, para que ela amolecesse outra vez.
Uma coisa que me agrada no inverno é laranja e bergamota.  Memória olfativa que trago da infância. Chupava as frutas pendurada na árvore, ou sentada nos muros de pedra embaixo das bergamoteiras.  Ao visitar o pomar do lugar onde nasci, colhi laranja de umbigo da árvore que minha mãe plantou anos e anos atrás. Estava carregada de frutas. Virei menina-moleque. Subi na árvore e desci com elas. Presentes da terra.
De volta à minha casa e com mais laranja do que poderia consumir, resolvi fazer geleia. Enquanto mexia o caldo grosso e perfumado, numa alquimia que transformava líquido em sólido, chegou um pensamento intrometido: se eu não desse certo na literatura iria morar no mato (quem sabe lá, na minha origem!) e venderia geleia de laranja. Em seguida outro pensamento, mais generoso e positivo me lembrou que com literatura não existe isso de dar certo ou não dar certo.  Se escrevo, se recebi o dom de me comunicar pelas palavras, já deu certo.
Para um pensamento primário,  dar certo, pode querer dizer vender milhares de livros, ser assediada pelos fãs, se tornar celebridade, etc etc etc. Essas coisas que dizem pra gente e que aceitamos como verdade, sem ao menos refletir sobre elas. Como nas relações íntimas. Tendemos a achar que um relacionamento só dá certo, quando se fica junto por dezenas de anos, ainda que sejam longos, intermináveis e doídos anos. Juntos, mesmo que não haja mais identificação, nem respeito, nem carinho, e se contabilize apenas o que é material nessa construção conjunta. Mas deu certo. Viveram sob o mesmo teto por 50 anos, dizem.
Bobagem. Quando abstraio esse lugar comum do “dar certo”, me dou conta que em literatura, assim como no exercício das outras artes, e nas relações afetivas, dar certo, é se respeitar no processo criativo, seja da linguagem que se escolheu como forma de expressão, seja na partilha com o outro (o que não deixa de ser um ato criativo,  pois promove transformação). Dar certo é habitar poeticamente o mundo, respeitando nossa verdade e reconhecendo o simbólico da vida, que é dar, receber, largar. É na ação de criar - movimento interno que pede um ser pleno e presente na ação - que é gerado o prazer e a harmonia, condições essenciais para viver bem. Isso é dar certo. Vender muito livro ou contabilizar os anos que se mora junto é outra coisa.
Enquanto as ideias passeavam livremente pela minha mente, a geleia ficou pronta.  E, penso que o melhor de tudo, seja mesmo ficar com as duas, mexer a literatura, enquanto se amadurece uma geleia de laranja. Amando, é claro.

19 de ago. de 2012

História coletiva




Construção de história coletiva pelos participantes da oficina em Cascavel

Era uma vez uma casa onde moravam um gato e uma lebre, num lugar com muito sol. Ali vivia uma menina que gostava de leitura. Ela pegou seu livro, uma garrafa de água e foi ao parque para ler. No caminho encontrou um professor com um papagaio no ombro. Ele disse que tinha uma estante cheia de livros onde pousava um passarinho. Disse também que gostava de cavalo e que tinha muitos alunos. De repente, tropeçou numa pedra, caiu, olhou para o céu e viu uma borboleta. 
Nesse momento uma formiga picou seu pé e ele percebeu que estava sujo como um tatu. Olhou pra frente e não conseguiu nem ver a placa da sua casa. Sentou numa cadeira, bebeu um copo de água e ouviu o galo cantando. Logo em seguida, o professor viu seu cachorro brincando e observando uma galinha que botava ovo nas nuvens. Pronto.


(atividade proposta no livro Práticas de Oralidade na Sala de Aula, Cortez, p.31)

8 de ago. de 2012

Livro dos números bichos e flores





Livro selecionado para o PLND 2013 - Obras complementares. Arte minha, da Claudia Ribeiro Mesquita, Graziela Costa Pinto e Flávio Fargas. Viva eu, viva tu, viva... (com licença Roberto Freire) o girassol que despertou no nosso jardim!

4 de ago. de 2012

Curitiba Velha de Guerra

Era o ano de 1978 passando para 79. Antonio Carlos Kraide, talentoso diretor de teatro em Curitiba, junta um grupo dos bons, Ariel Coelho, Betinha Destefani, Carmem Hoffmann, Carlos Daitschman Cléo Busatto, Fernando Marés, Ivone Hofmann, Juba Machado, Luiz Melo, Paulo Maia, mais  Paulo Vitola e Marinho Galera fazendo a música e cantando " ... é nas mesas dos bares, que a cidade se conta.."
Tinha mais gente. Era uma trupe que se revezava em diversos papéis para fazer a festa, e cantar e contar Curitiba olhando de dentro dos seus bares, que é por onde a cidade se revelava. Um sucesso. A peça circulou pelo Brasil no projeto Mambembão e eu acabei ficando em São Paulo por 19 anos. Uma história.

A estrela de Belém

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