3 de abr de 2012

Uma janela para ver Recife


A primeira vez que fui à Recife foi em 1995. Cheguei com olhar curioso, e atenta para aquele  mundo novo que se abria à minha frente, circulei pelos quatro cantos da cidade, do sertão e do litoral de Pernambuco. Um mês de andanças. Era Olinda, Brenand, Maria Farinha, Itamaracá, Itapissuna. Depois, rota do sul.  De Cabo de Santo Agostinho a Maceió. Noutros dias, caminhos do sertão: Caruaru, Alto do Moura, Mestre Galdino, Carpina... e Tracunhaém. 
Desde que atuei no espetáculo Relatório da 12ª Era, um delírio na forma de teatro que reuniu, de militante político (Rui César) a educadores (Rô Reis) e artistas (Gisela Arantes, Emmanuel Marinho, Hugo Possolo), lá pelos idos de 1980, que fiquei com a ideia fixa - Tracunhaém existe? Entre os instrumentos usados para sonorizar o espetáculo haviam dois grandes porrões de barro onde se lia, gravado em letras tortas, Tracunhaém/PE. No final do trabalho esses porrões ficaram comigo e me diziam, vai ver de onde saí.
Ciceroneada pela amiga-irmã Elza, pernambucana, contadora de história e na época parceira de contações, lá fomos nós, sertão à fora, atrás da dita cuja, que para minha surpresa, não só existia, como era um encanto feito de barro. Uma cidade oleira. Voltei carregada de pratos, panelas e moringa de argila


Pernambuco ficou na memória como um presente de Elza e dos seus pais. Elza foi morar em Israel. E eu, depois de zanzar por aí, optei por Curitiba. Sopra o vento. 2011. Recebo um convite de Camila, outra irmã da palavra, carioca com um pé em Recife. Uma linda que decidiu reunir as vozes que provocam devaneios por meio das histórias narradas. Lá vou eu pra cidade outra vez, agora em 2012,  numa viagem distinta, não mais pelas terras pernambucanas, mas pelos contos, sonoridades e sotaques evocados pelos contadores de lá. Ôxe! Pronto! É tempo de Conte outra vez

E nessa ida, com passagem pelo congresso de leitura Lercon produzido por outro lindo, o Hugo Monteiro, deixei por lá, o fogo dos Kaingang de cá. Antes me reuni com um grupo de mulheres amáveis e adoráveis, num dia de experimentos com a palavra falada. Um instante para brincar e pesquisar as possibilidades narrativas, com olhos voltados para os sentidos que as histórias deixam para nós. E nesse dia, descubro também Carol Lemos, com seus fios a bordar aconchegos.


Quanto presente a vida nos dá, quando se está aberto para recebê-los. Muitas vezes reclamamos que as coisas boas não chegam, mas esquecemos de abrir as mãos para apará-las, quando elas vêm até nós. Vê se risos dessa natureza não é um mimo para a alma? 


 Isso não foi posar na foto. Era assim o tempo todo assim. Brilho. Brisa. Vento. Maravilhamento. Alegria.


2 comentários:

  1. Que fotos lindas, escrita maravilhosa, coisa boa saber das belas impressões que você teve daqui Cléo! Obrigada por nos trazer um pouco de seus livros, histórias, ensinamentos, e encantamentos mil.

    Muitos e muitos beijos carinhosos de Pernambuco!

    Camila ou Mila Miloca

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  2. Amei o blog, Cléo! Só um coração tão lindo pra captar a simplicidade contagiante do nosso sorriso e a aura da nossa cidade. Foi um dia muito especial, no qual celebramos a vida e nela bordamos mais algumas lindas histórias. Obg por nos proporcionar momentos maravilhosos! Bjsss no coração!

    Margareth Soares (Brichindin)

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