Dia desses, eu postei no Facebook o texto “ando assim, quanto mais
me encontro mais me desconheço”. Uma moça compartilhou o post no seu perfil e acrescentou o
comentário, “ou seja tô perdidaça”. Não sei quem é essa moça para poder
entender esta observação. Meu perfil na rede tem caráter profissional e sempre
aceitei todos que pediram para serem adicionados, afinal, não sou eu que
escolho o leitor, ele vem a mim.
Enquanto pessoa que trabalha com leituras, num primeiro instante
eu questionei esse olhar linear lançado para meu texto, mas logo me dei conta
que essa é a forma com que as pessoas leem o mundo e o que está à sua volta.
Talvez nunca tenham se encontrado com Guimarães Rosa, para lhes dizer que “a
vida também é para ser lida, não literalmente, mas em seu suprassenso”.
Ora, é só ir além das palavras para dar-se conta que eu falo do
processo de autoconhecimento e das constantes descobertas que vamos fazendo ao
longo da caminhada. Viver é ir ao encontro do desconhecido. Novamente me dou
conta que esse é o movimento de poucos, pois exige disponibilidade para ficar
em silêncio e viver a solitude. E não é o que pede a sociedade contemporânea!
Essa nos obriga a ocupar todos os espaços e com excessos, seja de barulho,
imagens, coisas, gente, emoções, opiniões, e não permite que sejamos únicos e
diferentes da maioria.
Dias atrás, eu vi um vídeo sobre a chamada era de cristal, este
novo ciclo que se inicia. Fala-se sobre a transição do planeta e as
modificações energéticas que vão incidir sobre a consciência individual e
coletiva da humanidade. Está ocorrendo a ativação e mudança da kundalini da terra, ou seja, uma alteração do
seu eixo, que se fixará em algum ponto da América do Sul, entre a terceira
semana de dezembro e a terceira semana de fevereiro.
Ora, se isso pode parecer esotérico demais para as mentes
pragmáticas, parafraseio Guimarães Rosa e digo-lhes, hora de ir além do
suprassenso. Muito do que é dito no vídeo fez eco em
mim. C.G.Jung nomeou isso como inconsciente coletivo. Segundo a apresentadora,
uma das consequências desse evento é a mudança da estrutura energética do ser
humano. Passaremos a atuar do nível do cardíaco (energia do amor) para o
coronário (espiritualidade). Até então nossa energia circulava entre o chacra
da raiz (materialidade) e plexo solar (poder).
Em 2003 quando escrevi Contar
e encantar – pequenos
segredos da narrativa, eu dizia que ao contar histórias lançamos um fio de
prata que sai do plexo e envolve os presentes. Há alguns anos mudei meu olhar e
passei a dizer que ao narrar histórias projetamos um fio de ouro do cardíaco,
que enlaça ouvintes e narrador num único espaço. É a energia do amor que nos
une e essa é a tônica da era de cristal. A onda do medo, agressividade,
autoritarismo, controle e manipulação, já era. Agora a vibe é outra.
Então, que venha esse novo tempo (ufa, enfim!) que vai nos
confrontar com o desconhecido para inaugurar um novo ser. Agradeço sua
companhia nesse desafiador 2012 e desejo-lhe boas festas e inicio de ciclo. O
meu inicia dia 5 de janeiro. Até lá, olharei para mim e me perguntarei todos os
dias, o que está mudando à minha volta? E espero poder responder:
- Eu!
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