4 de mai. de 2013

Os contos de Cleo Busatto abrem a programação do teatro infantil


   Na manhã de hoje, o Espaço Infantil na Feira Pan-Amazônica do Livro recebeu a escritora e contadora de histórias infantis, Cleo Busatto, que divertiu o publico durante sua apresentação. Cleo iniciou sua carreira como atriz e, a partir dos anos 90, resolveu dedicar-se à contação de histórias e à criação de livros infantis.
   Dezenas de crianças compareceram à sala de teatro e puderam ouvir e interagir com a escritora na contação de histórias. Contos como “Floriça e a gata” e “Pedro e o Cruzeiro do Sul” divertiram a garotada, que teve a oportunidade de também contar suas próprias histórias.
   Cléo possui 21 obras entre livros e CDs. Seu primeiro trabalho em livro foi “Dorminhoco”, que teve sua segunda edição divulgada em 2002. Além dos livros, Cléo também produziu quatro CDs. O primeiro aborda “Contos e encantos dos quatro quantos do mundo”, mesmo titulo do livro no qual ela seleciona e apresenta historinhas de todo o mundo. 
   O segundo CD explora o imaginário regional, mostrando as lendas brasileiras. Já o terceiro CD é mais direcionado às lendas indígenas do Sul do Brasil. O quarto traz um trabalho mais direcionado às histórias de assombrações, que costumam despertar o suspense nas crianças.

Cléo Busatto fascina o público contando histórias na Feira do Livro

   A escritora Cléo Busatto prendeu a atenção do púbico que lotou a
           Sala Belém, em mais uma tração oferecida pela
Feira Pan-Amazônica do Livro


    O público infantil é o principal alvo do trabalho
desenvolvido pela escritora Cléo Busatto
     Uma das obras dos irmãos Grimm, o conto “Sete Corvos”,
foi a escolhida por Cléo Busatto para “Contar e Encantar" o público,
revelando os "pequenos segredos da narrativa”


   O conto “Sete Corvos”, dos Irmãos Grimm, foi escolhido para iniciar a palestra da escritora Cléo Busatto, na XVII Feira Pan-Amazônica do Livro, na terça-feira (30), sobre o tema “Cantar e Encantar – pequenos segredos da narrativa”. O público que esteve na Sala Belém, no Hangar Convenções e Feiras da Amazônia, assistiu a uma aula de contação de histórias, com uma das escritoras brasileiras mais especializadas no assunto.
   A arte de contar histórias e a literatura na sociedade contemporânea foram abordados pela escritora, que tem uma relação muito próxima com o público infantil. Ao longo de sua carreira, ela desenvolveu técnicas de narrativa que fascinam crianças, professores, bibliotecários e artistas.
   “Desde 2008 eu conheço a obra da Cléo. O jeito com que ela constroi e narra seus textos me fascina. Aprendi que ensinar algo pedagogicamente não tira a magia de uma boa história. Meus alunos serão beneficiados com esse aprendizado”, avaliou a professora Ana Selma Cunha.
   As histórias narradas por Cléo Busatto já foram ouvidas por mais de 65 mil pessoas, no Brasil e em outros países. A escritora também é Mestre em Teoria Literária, pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Segundo ela, a participação inédita na Feira do Livro foi muito proveitosa. “O encontro foi muito bom. É a primeira vez que venho a esse evento e estou encantada. O público de Belém é muito participativo e bastante diversificado, o que revela o poder que a contação de histórias possui”, disse Cléo Busatto.
   Durante a XVII Feira Pan-Amazônica do Livro, a escritora ainda apresentou seus contos no espetáculo “Histórias de Cléo", com sessão lotada, e autografou suas obras no Ponto do Autor.

24 de abr. de 2013

Fogo



                               
No início do mundo só havia uma fogueira por toda a terra conhecida pelos Kaingang. Pertencia a Minarã, mas ele não o dividia com ninguém. Um dia o guerreiro Fiietó transformou-se numa gralha branca e partiu em busca do fogo. Tinha um plano. Mergulharia no rio onde se banhava Iaraví, filha de Minarã e esperava ser salvo por ela. Foi bem isso que aconteceu. Ela recolheu o pássaro encharcado e colocou-o para secar junto ao fogo. Deslumbrado com o que viu, Fieetó pegou um tição com o bico e saiu voando. Carregava o fogo pros seus amigos Kaingang. Era um fogo pequeno, pequeno ainda, mas o suficiente para oferecer a eles, luz e calor... [1]

... e assim vai se desenrolando esta narrativa mítica que trata de um tema universal. A conquista do fogo. Este fato foi tão significativo para a humanidade que todos trataram de criar uma história. O fogo foi dotado de sentidos que ultrapassam a dimensão antropológica para adentrar no plano simbólico e nos trazer imagens memoráveis que remetem à iluminação, purificação, transformação e sabedoria.  Nessa perspectiva o fogo se apresenta como uma metáfora para a aquisição do conhecimento e para a ampliação da consciência individual.
Isso tem a ver com a educação. Educar é acender o fogo interior do educando e sensibilizá-lo para que ele o mantenha aceso. E somos nós, artistas e educadores, que devemos manter viva essa imagem, alimentando nosso fogo interno, condição essencial para inflar o fogo do outro e prepará-lo para a conquista de saberes.
Fogo interior é fogo sagrado que mora no coração, e saber comprometido com o coração se torna sabedoria, faz surgir possibilidades criativas e criadoras, gera uma educação orientada para a paz. Este é o verdadeiro poder, porque é orientado pelo conhecimento, que  se adquire lendo, por exemplo. Lendo a mim, ao outro, o que está em torno e lendo o texto. Este é o campo dos domínios da língua e Umberto Eco, escritor italiano, lembra-nos que a literatura mantém a língua em exercício.
Uma das funções da minha vida (casa 10 do zodíaco, o que se deixa para o mundo) é atuar com e para a leitura, principalmente a leitura literária. E vivo me deslumbrando com isso. Como diz a amiga leitora Giselle, você nasceu para brincar de ser vaga-lume e viver assim: acendendo e apagando na mente dos que te leem. Se pego emprestado essa imagem luzidia é porque ela me define. Olho para o conceito e digo a mim mesma, e não é que pode ser isso mesmo?




[1] História do livro Paiquerê, o paraíso dos Kaingang (editora SM), de Cléo Busatto.

22 de abr. de 2013

Escritora discute cenário da literatura infantil atual



                                                            Cléo esteve à frente do projeto De Caso com a Palavra em Ponta Grossa

JMNews.com.br / Urbe / Entrevista - Publicado em 21 de Abril de 2013, às 00h00min | Autor: Daniel Petroski, da redação,foto: Thiago Terada

Cléo Busato esteve em Ponta Grossa na sexta-feira em virtude do projeto ‘De Caso com a Palavra’. Escritora é conhecida no mundo todo por seu trabalho na área infantil e juvenil

É de autoria de Cléo Busatto o projeto ‘De Caso com a Palavra’, realizado em Ponta Grossa na última   sexta-feira.    O Fórum encerrou a  segunda  etapa  da  iniciativa  que  também   teve atividades em Maringá e Foz do Iguaçu.    Na cidade,   o evento   reuniu           representantes políticos locais e estaduais,   como o  Secretário  de  Estado  da  Cultura  do  Paraná,    Paulino Viapiana,  e  palestrantes  como  Carlos Daistchman,  Caio Riter,  Gika Girardello  e Cristóvão Tezza. Antes do evento, Cléo recebeu a equipe do Jornal da Manhã para um conversa em que explica os motivos da criação do  projeto e como  anda o cenário da produção infantil e juvenil atual.

Jornal da Manhã: Como é estar à frente do projeto ‘De Caso com a Palavra’?

Cléo: É uma loucura. Quando eu criei esse projeto, fiz por puro idealismo. Eu via que o Paraná estava querendo ser um Estado de leitores, com o governo querendo instalar uma biblioteca em cada cidade. Mas, pensei comigo: E aí? Vai ser só mais um depósito de livros? Acredito que só a biblioteca não resolve. Falo isso, porque existe um lado meu que é a Cléo arte-educadora. Eu venho de uma família de educadores. Comecei a ler com três anos e meio graças a minha mãe. Por isso, sempre possui esse olhar mais idealista. Pensei nesse projeto e ofereci para o diretor da Biblioteca Pública do Paraná e ele comentou que a proposta vinha de encontro com o Plano Estadual do Livro, Leitura e Literatura (Pelll), sugerido pela Secretaria de Estado da Cultura (Seec). A partir daí, foi uma série de sincronismos e encontros felizes. E quando me dei conta, vi que o projeto era muito maior do que aquilo que eu imaginava. Para ter ideia, tivemos 450 pessoas na primeira etapa. Sem Ponta Grossa, nas outras duas cidades que receberam a segunda parte do projeto já foram quase mil participantes. Desse total, foram realizados sessenta projetos, que reverteram em benefícios para aproximadamente sete mil pessoas.

Leia a matéria na integra no JM impresso.


14 de abr. de 2013

O Fio da História




        Dizem que no início do início, antes mesmo de o homem existir na terra, havia uma árvore gigantesca, bem no centro do mundo. Era tão alta que seus galhos sustentavam o céu. Ela era o eixo do universo. A árvore convivia com os três planos do cosmos. 

       Enquanto as raízes mergulhavam na escuridão das regiões subterrâneas da terra, seu tronco e os ramos mais baixos lançavam o olhar para os vales e campos verdejantes da superfície. Já os galhos superiores e sua copa erguiam-se nas alturas, em busca da luz. 
       A árvore agregava em si a presença dos quatro elementos. A terra alimentava suas raízes. A água circulava pela sua seiva. O ar nutria os ramos e folhas e o fogo oferecia-lhe o calor necessário para crescer. 
       Dizem também, que seu porte majestoso e vertical garantia a união de Urano (o céu), com Geia (a terra). Para muitos, ela era a Árvore da Vida, pois alimentava o mundo e abrigava a vida.

19 de mar. de 2013

Vida e Cidadania



Terça-feira, 19/03/2013
Pedestre por convicção, a escritora Cléo Busatto aposentou a carteira de motorista e hoje observa detalhes de Curitiba, 
Daniel Castellano/ Gazeta do Povo
Publicado em 19/03/2013 | FERNANDA TRISOTTO

Andar a pé por grandes cidades está em desuso
Maior utilização de carros e queda no número de pedestres nas grandes capitais faz a população ter relação superficial com o lugar onde vive.

Por uma confraria de caminhantes
Há alguns anos, a escritora Cléo Busatto aposentou sua carteira de motorista. Mas isso não a impede de circular livremente por Curitiba, caminhando. Depois da decisão, Cléo diz que não se estressa com o trânsito, colabora com o planeta, faz exercício e entende o ato de caminhar como “um deleite.” “Mesmo que eu tenha opção de ir para algum lugar de outra forma, prefiro andar porque assim eu vejo a cidade”, diz.

Para ela, caminhar pela cidade significa olhar aquilo que parece invisível. “Quem sabe que nas ruas do Centro antigo têm pitangueiras ou que a [Avenida] Visconde de Guarapuava tem goiabeiras carregadas?”, indaga. Apesar da opção por não ter carro, a escritora não é radical: quando precisa ir até um lugar mais longe, usa táxi e transporte coletivo.

Além de economizar, ela leva vantagem também na conexão com outras pessoas. “Há uma pré-disposição de quem está andando em te olhar. É como se você criasse uma confraria de pessoas que andam.”

Desculpas
A escritora acredita que as pessoas dão muitas desculpas para não usar outros tipos de meios de transporte que não o carro – chegar suado no destino é um deles. “Lógico que segurança é importante e Curitiba precisa, sim, olhar com atenção para essa questão, mas as pessoas são extremamente preguiçosas para andar”, argumenta.


http://www.gazetadopovo.com.br/vidaecidadania/conteudo.phtml?tl=1&id=1354892&tit=Andar-a-pe-por-grandes-cidades-esta-em-desuso

11 de mar. de 2013

O menino que limpava o mundo



O menino catava o lixo do mundo.
O menino puxava o carrinho.
O cachorro ia atrás.
Menino juntava garrafa de plástico. Cachorro, bola furada.
O menino não tinha pai, não tinha mãe, nem madrinha ele tinha.
Por isso se dizia afilhado da noite e do dia.
O menino andava sob o sol. O menino andava sob a lua.
O dia e a noite perguntaram ao menino:
- Quer andar na claridade ou na escuridão?
Ele respondeu, guloso:
- Ora na claridade, ora na escuridão.
O dia e a noite protegia o menino.
O menino catava carrinho quebrado largado no caminho.
Catava papelão e com ele fazia avião.
O menino e o cachorro passeavam pelas nuvens. O cachorro catava osso de bicho morto. Mas não dava pra comer. Então, entregava para a terra e ela devolvia margarida.
O menino e cachorro limpavam a sujeira do mundo.
O menino era pequeno. O cachorro era pequeno.
O carrinho era enorme.
O cachorro, ora passeava sobre o carrinho; ora puxava o carrinho com o menino dentro dele.  
Encontraram a ovelha com pé quebrado. Foi para o carrinho.
Encontraram a pomba de asa torta. Voou para o carrinho.
Cobra sem rabo. Subiu no carrinho.
O menino encontrou o relógio de um ponteiro só. Apontava o doze.
Para o menino, o cachorro, ovelha, pomba e a cobra sem rabo era sempre meio-dia.
Era sempre meia-noite naquele caminho sem fim.
Eles passeavam e limpavam o mundo.


Conto publicado na revista Crescer 232 Março 2013

A estrela de Belém

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