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25 de set. de 2010

Para ter acesso a novas formas de ver o mundo

http://www.gazetadopovo.com.br/gaz/gaznopapel/conteudo.phtml?tl=1&id=1050241&tit=Para-ter-acesso-a-novas-formas-de-ver-o-mundo
Divulgação / Cléo Busatto: a contadora de histórias estará presente todos os dias na Bienal
Cléo Busatto: a contadora de histórias estará presente todos os dias na Bienal

Cléo Busatto, catarinense radicada em Curitiba, é quase sinônimo de contação de histórias. A relação dela com o universo da leitura é tão profunda, que a organização da Bienal do Livro Paraná a convidou para ser a curadora do Espaço da Criança (Circo das Letras), que oferecerá ampla programação a leitores de 8 a 12 anos, conteúdo que também poderá ser usufruído por curiosos de todas as idades.

No dia 2 de outubro, ela participa, ao lado de Rodrigo Lacerda, da mesa-redonda Pequenos Leitores, Grandes Leitores. A mediação do encontro será do editor do GAZ+, Cristiano Luiz Freitas. A seguir, algumas ideias de Cléo:

O que uma pessoa, de qualquer idade, ganha participando da Bienal do Livro Paraná?
Ganha conhecimento, amplia sua consciência ética e estética. Frequentando espaços dessa natureza, uma pessoa entra em contato com pensamentos, pensadores, outras formas de ver o mundo. Ao visitar um evento desse gênero, saímos de uma existência autocentrada e provinciana e nos damos conta da grandeza do ser humano.

Isso quer dizer que circular em meio a livros e escritores faz bem à saúde?
Muito. A gente só tem a ganhar com um bom livro. Dia desses, uma pessoa me falou que tudo o que ela é e aprendeu, deve aos livros. Ela vem de uma família não ledora e pouco participativa. Então, foi buscar nos livros a base para a sua autoformação. Estamos sempre aprendendo a ser, criando sentidos para aquilo que vivemos e num processo continuado de aprendizagens. A literatura se encarrega de nos auxiliar nessa caminhada. Ela nos pega pela mão e diz, venha, isso é o que eu tenho a lhe mostrar, e agora você cria o sentido que melhor se encaixa na sua existência.

Cléo, é possível afirmar que o simples fato de frequentar um ambiente como o da Bienal do Livro Paraná já deixa a pessoa com vontade de ler?
Com certeza. Só o fato de frequentar ambientes onde o livro se faz presente já desperta o desejo de ler. Eu aprendi a ler sozinha, aos três anos e meio, simplesmente por crescer num lar que tinha livros, revistas por todo canto. Meu pai lia Seleções, O Cruzeiro, romances. Eu vivia com as revistinhas infantis em torno de mim. Os armários continham livros. Minha mãe era professora, seu mundo girava em torno das letras. Meu irmão foi um grande leitor. Eu li Os Miseráveis, de Victor Hugo, com oito anos. Estava lá. Bastava apenas tirar da estante. A história me envolveu, encantou, chorei com a personagem infantil, a sua dor pela perda da mãe.

6 de mar. de 2010

As incríveis histórias de Cléo Busatto


As incríveis aventuras de Cléo Busatto


A atriz, contadora de histórias e escritora lança hoje e amanhã, no MON, Formosos Monstros, o seu mais recente trabalho

Publicado em 06/03/2010
MARCIO RENATO DOS SANTOS
Caderno G


                                                                                                        O segredo de Cléo:
“É preciso ser fluente e entrar em sintonia com o outro”


MULTIMÍDIA



Cléo Busatto fala com palavras, mas também por meio da movimentação de seu corpo. A atriz que se tornou contadora de histórias também é autora. Mas, antes de qualquer definição, ela é uma pessoa que acredita que toda cesta básica, além de feijão e arroz, tem de obrigatoriamente conter livros.

Todo ser humano, Cléo tem certeza, precisa de enredos. E conhecer, tecer e apresentar enredos é algo que ocupa 99% do tempo dessa multifacetada artista.

Hoje, a luz pode até cair no Centro Cívico. Se o fornecimento do serviço da Copel também falhar amanhã, Cléo não arrancará os cabelos. Afinal, nestes dois dias do fim de semana, ela vai apresentar, ao público, o conteúdo de seu quarto DVD-ROM, Formosos Monstros, no miniauditório do Museu Oscar Niemeyer (MON).

Essa proposta reúne som, texto e imagens em movimento. Tudo com a finalidade de acender o imaginário de quem está, por exemplo, na frente de um computador. No fundo, o suporte é apenas um detalhe para essa artista que deseja contar histórias todos os dias.

Diariamente, ela investe pelo menos 120 minutos de energia para gerar conteúdo nos espaços virtuais onde tem um endereço, seja Orkut, Facebook, Twitter etc. Cléo sabe que esses canais são pontos de contato com eventuais interlocutores nesses tempos em que a fragmentação dá o tom, em dias e noites em que poucas pessoas passam mais de 40 minutos sem conferir se chegou um novo e-mail.

Mas ela não quer se enxegar como vítima ou presa desses formatos breves em que se pode mandar todo e qualquer recado.

Entre um gole de café carioca e outro de água sem gás, deixa escapar que tem dois ou mais romances em andamento, e talvez três outras longas narrativas finalizadas. Mas desconversa. Não revela nem mesmo o nome de duas obras que estão no prelo.

A catarinense que viveu em São Paulo e no Rio de Janeiro, agora faz de Curitiba e cenário de quase todos os seus passos. Ela concluiu mestrado na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Tentou responder a seguinte pergunta: quais são e como são as novas possibilidades de se contar uma história no século 21?

Mais do que responder ao desafio, o que de fato fez, pois defendeu a dissertação em 2006, ela transformou o projeto acadêmico em um livro. Mas, século 21 em trânsito, e ela estava envolvida na realização de DVD-ROMs, uma possibilidade de contação.

No momento de registrar a imagem para esta matéria, o repórter fotográfico Antonio Costa pede para Cléo andar com pressa, “como faz todo curitibano”. A artista sorri, apressa o passo, mas não deixa de observar que não é apenas em Curitiba que se caminha como se o mundo fosse acabar na próxima esquina.

Hoje, Cléo percebe que praticamente todos os habitantes do planeta estão acelerados, em comparação a outros tempos, como no fim do século passado, que parece ter sido ontem, mas lá se vão dez anos.

Também já faz uma década que ela lançou o seu primeiro livro, Dorminhoco, que daqui a pouco atinge a marca dos 20 mil exemplares vendidos. Cléo é identificada como uma autora de narrativas infantis, mas ela sabe que é uma escritora, e não pensa em rótulos nem destino calculado de seus enredos. “Quero escrever e ser lida, se der, por todos os leitores”, diz.

Cléo também transita pela chamada arte-educação. Apenas de 2005 para cá, capacitou mais de 40 mil profissionais e contou histórias para mais de 65 mil pessoas. Escrita ou falada, ela começa a confirmar uma tese: um dos segredos de uma história é a fluência. Como um rio que leva uma folha, argumenta Cléo, um texto, na tela do computador ou impresso em papel, tem de conduzir os olhos do leitor do início ao fim.

O contador de histórias, conta Cléo, também tem de ter fé. Afinal, o emissor precisar acreditar no que está falando, “Se não, como pode esperar que o público entre no mundo que ele está apresentando?”, pergunta a contadora.

Há muitos outros segredos a respeito da arte de contar uma história e Cléo tem, a exemplo de todo mestre-cuca, os seus, sobre os quais mantém sigilo, até porque nem tudo pode ser explicado. Mas toda história, pondera, precisa ser contada.

Serviço:

Lançamento e demonstração do DVD-ROM Formosos Monstros, de Cléo Busatto. Museu Oscar Niemeyer (R. Marechal Hermes, 999), (41) 3350-4400. Dia 6, a partir das 15h e dia 7, a partir das 16h. Entrada franca.

Rastros e marcas

Saiba mais sobre a trajetória de Cléo Busatto

Quem é?

Cléo Busatto é escritora. Também é mediadora em projetos sobre oralidade, leitura e literatura infanto-juvenil. Mas ela ainda é conhecida por ser narradora oral de histórias.

Multimídia

Pesquisadora das possibilidades de como contar histórias na contemporaneidade, fez mestrado na UFSC sobre o assunto. Idealizou quatro DVD-ROMs para traduzir, na prática, esse projeto: Contos e Encantos dos 4 Cantos do Mundo, Lendas Brasileiras, Nos Campos do Paiquerê e Formosos Monstros.

Livros

Entre as suas obras, destaque para Paiquerê, O Paraíso dos Kaingang, Pedro e o Cruzeiro do Sul, A Arte de Contar Histórias no Século XXI etc.

Atuante

Catarinense radicada em Curitiba, ela já surpreendeu a comunidade de muitas maneiras. Circulou pelas dependências do Shopping Estação vestida de fada, realizou projeto de incentivo à leitura para alunos de escolas municipais, em que sugeriu que os meninos e as meninas se vestissem com a melhor roupa para entrar pela primeira vez em bibliotecas e livrarias.




A estrela de Belém

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