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3 de jun. de 2010

Os ecos da obra e o riso que alimenta


Gratidão e orgulho de mim mesma, foi o que senti, quando soube que fiz parte da história de vida de Cassiana, uma adolescente de sorriso aberto, 17 anos e moradora de Campo Mourão. Cassiana ganhou o CD-ROM Contos e Encantos dos 4 Cantos do Mundo, na época do seu lançamento, em 2002, num evento da Biblioteca Municipal dessa cidade.
                                                               
Ontem, após a palestra que realizei na unidade do SESC Campo Mourão, Cassiana chegou saltitante e eufórica, para me conhecer e contar, que havia navegado tantas vezes pelo CD, que decorou as histórias e sabia os jogos de cor.
Hoje, na apresentação do espetáculo Formosos Monstros, ela voltou e de CD na mão. Linda. E a gente se fotografou, para se lembrar, para demonstrar afeto. Foto é para isso.





Penso que para o artista, não deve haver prazer maior, do que saber que sua obra criou ressonância junto ao público. Esses retornos constroem também a minha história. Voltei alimentada, de tantos beijos e risos do público de pequenos ouvintes, de 3 a 6 anos. Essa idade é singular. As realidades se fundem. O pensamento mágico predomina. Descobertas. Encantamentos. Eu me delicio com eles e ofereço, a mim eu e as histórias, de bom grado e com o coração feliz.

                                                                                       

21 de mai. de 2010

De namorico com o medo


Outro comentário espirituoso de crianças de 4 anos, durante o espetáculo Formosos Monstros, no Sesc Carmo: "Eu to com medo e você?" pergunta uma pequena para o amigo. "Ah, eu to, mas eu quero ver mais."

29 de abr. de 2010

Semana Literária e Cultural no Imaculada



Essa semana acontece o evento literário e cultural do colégio Imaculada (Curitiba) e estive lá com o espetáculo de narração oral Formosos Monstros.
Estou dando os primeiros passos com essa produção e já pude sentir como vai ser: prazerosa, tanto para fazer, como para assitir. Eu me divirto fazendo e eles se divertem assitindo.


As histórias promovem o reconhecimento dos sentimentos. Isso já foi dito. E sentido. Nesse trabalho, elas elaboram o medo. Justamente por se tratar de monstros, personagens que povoam o imaginário da criança desde cedo, como representação de coisas ruins e que ameaçam a sua integridade, elas provocam uma infinidade de sensações e despertam afetos ainda não nomeados ou familiares. Mas, necessário para o trato com o mundo interno.

O espetáculo sugere uma interação da narração ao vivo, com a narração no meio digital,  pesquisa que venho dando corpo nos últimos anos. Percebi que isso cria um distanciamente, interessante, para essa característica de narrativa. Na hora do vídeo, o espaço cênico vira um cineminha, e como não é a "contadora de verdade" que está narrando, dá para fazer comentários com o coleguinha do lado. Ouvi vários. Todos relacionados com os contos. Não era papo descontextualizado. Coisas do tipo "isso eu não sabia", ao assitirem o conto do basilisco. E muitos "nossa!", e caras... e interjeições. Uma riqueza.



Foi bom. Obrigada amigos do Imaculada, por estar com vocês. Obrigada crianças, pelo carinho na apresentação. E assim foi.

25 de abr. de 2010

Segundo dia de Formosos Monstros





Hoje foi ainda melhor que ontem. Adoro contar as histórias dos monstrinhos. Adoro assustar crianças (risos). Eu faço de conto que assusto; elas fazem de conta que acreditam e acaba tudo num bom divertimento. Gente grande também se diverte. Pai e mãe de sorriso orelha a orelha. Sai todo mundo alegre e feliz. Quer coisa melhor? Quer profissão mais afortunada? (mais risos...)


Tinha tanta gente lá fora querendo entrar, que foi solicitado aos pais que segurassem as crianças menores no colo, para que outras pessoas pudessem entrar. E todos de DVD na mão.




A Fátima não conseguiu assistir, ficou tristinha e eu também. Mas você verá Fátima, prometo. Autógrafos na Livraria Travessa.



     E aqui, antes da apresentação ...


 Com Vilma Vargas; Isabel Paranhos, do Cineduc e Fátima Campilho. E assim foi.



24 de abr. de 2010

Formosos Monstros - Centro Cultural Banco do Brasil - Sábado

O sábado amanheceu coberto por nuvens de chuvas. O Cristo oculto entre elas. Dia de histórias. Sala de cinema cheia, 140 pessoas. Gente voltando. Crianças entrando com o DVD nas mãos. Projeto do Cineduc,  formação de platéia. Belo projeto. A criança assiste filme de qualidade e todo mês vem um convidado: um dia um músico, noutro escritor, contador de histórias - ótimo, minha vez de ocupar esse espaço. Recebem um presente de arte: cd, livro. Hoje foi a vez do Formosos Monstros. Toda atenção voltada pras histórias e as perguntas "porque não tem o minotauro? e lobisomem?" Ufa! Seria preciso meia duzia de dvds pra falar de toda essa turma. Aconteceu, lindo. Amanhã posto fotos e compartilho com vocês mais um pouco desse mundo dos encantados.

17 de abr. de 2010

Os monstros na Lorena



 Ser envolvida pela energia da criança desmonta qualquer tentativa de ataque dos monstros. O lançamento do DVD-ROM foi divertido e melhor ainda, foi ver as pessoas queridas.


Criançada largada nos pufs, olhão arregalado. Às vezes a mãozinha cobria os olhos. Era o medo chegando, trazendo consigo uma mensagem de "quero mais". A vontade de ficar e interagir com os monstros é mais forte que o medo que ele dá.


Lá pelas tantas, surpresa... a editora da Biruta chegou com meu novo livro...daqui a pouco eu conto sobre ele. 
Deixa eu curtir os monstros um pouco mais. Sábado e domingo que vem, tem monstro no Rio, no Centro Cultural Banco do Brasil. Quem for ganha um DVD. Olha só, assiste um espetáculo gracinha e ainda leva uma mídia de graça? Ah! Também vou aparecer por lá.....

4 de abr. de 2010

Viejos

Bateu a coceirinha de vontade de escrever. E escrever sobre bonecos que contam histórias. Velhos que contam suas histórias. No início do espetáculo Viejos, o ator-manipulador-criador do El Titiritero de Banfield, Sergio Mercurio, nos lembra que os velhos não gostam de ser chamados assim, pois consideram depreciativa, essa forma de invocação. Para Sergio, ela mescla carinho e respeito.
E eles entram em cena. Seres feitos de espuma e latéx, embalados por tango e com enchimento de humanidade, humor e afetos, seja uma rabujice assumida, uma alegria contida, uma esperança que insiste em alimentar corpos já deformados pelo tempo. E são apaixonantes.
Logo no primeiro quadro, a gente se dá conta que nessas criaturas existe alma. O primeiro velho que se apresenta parece ser um retrato do nosso pai. Saudosista e autoritário, lembra ao jovem-manipulador, que no passado não tinha tanto  "maricas", como hoje. "Muito hormônio nas galinhas", justifica ele. Hilariante.
E de nada adiante o ator querer discutir o preconceito diante da opção sexual. "São todos maricas", grita o velho rabujento.
Mas o velho sabe de muita coisa. Lá pelas tantas o jovem cita uma poesia de Borges. "Poesia de Borges?", estranha o velho, enquanto coça a cabeça e pede que ele a recite. E o rapaz, que não a sabe de cor se esquiva, tentando explicar a idéia do poema. O velho se irrita. "Não quero saber da idéia, quero a poesia, declame!" O rapaz pensa conhecer Borges, mas está citando qualquer coisa que circula na internet, com a autoria do conterrâneo do velho, e é desmascarado por um conhecedor da literatura desse escritor.
E ficamos sabendo mais um pouco do universo daquele personagem trôpego e com dificuldades de respirar. Eles vão nos envolvendo, num diálogo ágil, nervoso às vezes, pontuado por tempos mudos, reflexões e tanta ternura, que provoca a compaixão.
Então, o manipulador pede ao homem, que esse lhe conte sua  história. O velho faz uma pausa, olha para longe, com aquele olhar envolto pela vacuidade, de quem já viu e viveu tanto mundo e responde, "minha história? Ontem eu estava brincando ali atrás, hoje estou aqui."
Nessa hora dá um aperto no peito e uma vontade louca, de ir lá e abraçar o velho.
Mais tarde entra Edwiges, atrás da "borboletinha", falando com seus dois anjos, um de cada lado, enquanto na platéia, ninguém os vê, para a perplexidade da velha e meiga Edwiges.
Depois vem outro e outros mais, cada um com sua história, a tocar em algum espaço do nosso ser. Sempre envoltos por silêncios, feitos de reminiscências ou esquecimentos; de breves intervalos para olhar a vida. Momentos que nos convidam a olhar para o nosso velho adormecido e lembrar, que todos o carregamos dentro de nós.
Aí vem as coisas técnicas. O ator-manipulador, Sergio Mercurio, é um escandalo de sensibilidade e precisão na interpretação dos seus personagens. Ele doa aos bonecos de espuma e latéx, aquilo que nos encanta e nos faz sonhar: mito e poesia.

É prá ver. Está no Teatro do HSBC, em Curitiba, até 11 de abril

A estrela de Belém

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