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9 de fev. de 2011

Brincando com o medo

Outro ponto alto no evento a Cortez. Apresentação do vídeo Lobisomem.
Ah, sim! Solicitado por um menino de cinco anos.
(CD-ROM Lendas Brasileiras).

19 de dez. de 2010

Aconteceu comigo no verão

Uma história de amor

Essa é uma história de amor que aconteceu no verão de 1992, em Caraíva, no Sul da Bahia.

Um mês no paraíso. No dia da chegada fomos jantar num dos dois restaurantes que havia por lá. Era noite de lua nova. Escuridão. O vilarejo não tinha luz elétrica. Voltando para casa no rastro da areia branca fomos surpreendidos por um bando de cães. Eram muitos. Latiam e nos ameaçavam. Continuamos a andar, lentamente, sem enfrentá-los e conseguimos chegar bem. Um deles se mostrou amigável. Abandonou o grupo e nos acompanhou.

Na manhã seguinte lá estava ele. Um vira-lata qualquer que passamos a chamar de Cachorro. Ele virou nosso escudeiro e companheiro de praia e caminhadas. Protegia-nos dos outros cachorros e das pessoas que ele não confiava. Após 20 dias fomos visitar a aldeia dos Pataxós. Cachorro foi atrás. Ao cruzarmos o portal da aldeia, um menino correu ao nosso encontro fazendo festa pro Cachorro. Ele era seu cachorro e tinha se perdido no vilarejo. Foi lindo de ver os dois. Cachorro balançava o rabo de felicidade. O indiozinho acarinhava o animal e logo tratou de prendê-lo.

Ao pegar a trilha de volta, após caminhar uns 15 minutos, ouvimos barulho de bicho correndo atrás de nós. Era ele, Cachorro, vindo em na nossa direção e o menino atrás, gritando para que ele parasse. Mas ele só parou ao nos encontrar. Veio se despedir e retornou para a aldeia junto com seu amiguinho, o menino Pataxó.


http://www.gazetadopovo.com.br/viverbem/conteudo.phtml?tl=1&id=1079093&tit=Aconteceu-comigo-no-verao

13 de jul. de 2010

Boletim Julho 2010

   Esse boletim é dirigido a você, amigo e amiga educadora.Hoje apresento meu novo livro, resultado de minha prática pedagógica traduzida por anos e anos de oficinas de formação de professores, por esse Brasil afora.
   Práticas de ORALIDADE na sala de aula tem como objetivo estimular a comunicação oral e oferecer à você, 40 atividades que lhe auxiliam na busca do leitor-modelo, de que fala Umberto Eco. Esse leitor, sujeito capaz de decodificar os signos,as marcas, os códigos e enigmas propostos pelo autor; que colabora com o autor, entende aonde ele quer chegar e mesmo assim procura criar é o que desejamos ver no nosso aluno. Uma das vias para que isso se torne fato é exercitar a criança, por meio da oralidade, para que ela trilhe desde cedo, esse caminho sensível de aquisição de sentidos. Sabemos que os anos iniciais devem ser dirigidos ao letramento e à alfabetização e que o desenvolvimento da linguagem oral é etapa fundamental na aprendizagem.
   Por isso, é importante que se dê um espaço significativo à narração oral de histórias, às leituras em voz alta e às rodas de conversa e escuta, nas quais a criança exercita a criação do texto oral, ao criar e recriar histórias ouvidas e vividas. E dizer, que a narração oral de histórias é a chave que abre a porta para o processo de
alfabetização, significa mais que o simples uso de uma metáfora, para ilustrar essa aquisição conquistada pela criança. Implica colocar a oralidade no seu devido lugar, ou seja, ocupando um espaço privilegiado na formação do ser humano.
  Práticas de ORALIDADE na sala de aula já se encontra nas livrarias. Disponibilizo também a palestra Oralidade nos anos iniciais. Os contatos podem ser feitos através do meu site.

16 de jun. de 2010

Crianças no Sesc Ramos...






descobrem que o universo dos monstros vai além da TV e que a Iara é uma sereia que habita os rios do Norte do Brasil. Que nesse mundinho vive o Octopés, que pode ser acalmado com folhas de hortelã e que o canto do galo nos protege contra o ataque do  Basilisco. Descobrem que link é alguma coisa que nos liga a outra e que podem dar conta de ir sozinhos até "aquele lugar que tem rio de fogo".
É o meio digital aproximando os saberes da humanidade.

23 de mai. de 2010

Inclusão digital com os Formosos Monstros



Estive com um grupo de crianças, na faixa de 8 a 13 anos, pesquisando as possibilidades da mídia Formosos Monstros, no espaço Internet Livre do Sesc Carmo-SP. Essa tecnologia é um jogo, onde a criança poderá conhecer os monstros da mitologia universal. Para isso ela deve vencer alguns desafios. Ao superar uma etapa do jogo, ela entra num novo cenário e conhece um novo monstro, seja do Brasil ou da Oceania.

Cada cenário é palco de descobertas sobre cultura e oferece condições, para se exercitar a generosidade e a paciência. Observamos que as crianças estão acostumadas com games de que priorizam a iteratividade e não a interatividade. Como observou Soraya, coordenadora do programa Curumim,  "eles estão habituados ao PlayStation. Lá se clica várias teclas ao mesmo tempo e com muita rapidez". E, inicialmente, a mídia causou estranheza, porque para interagir eles precisavam parar, ler, pensar, buscar ajuda, ouvir. Habilidades que não são muito exploradas nos games


Vencida a primeira etapa que é a familiarização com a arquitetura do jogo surgiu o prazer. A chegada a um novo cenário era comemorada. Vibravam "conseguiiii". As crianças que jogavam em duplas compartilhavam as descobertas, ajudavam-se mutuamente e praticavam a solidariedade. Os mais afoitos e pouco chegados à leitura paravam direto no limbo, espaço do Ceifador, criatura implacável. Se o jogador não tiver o que ele pedir; não tiver praticado uma boa ação, o que equivale a vida, cai fora do jogo e deve começar de novo.
No fim foi uma festa e a certeza de que, as novas tecnologias carregam possibilidades lúdicas e educativas, e provocam o encantamento e a expansão das possibilidades do sujeito.




21 de mai. de 2010

De namorico com o medo


Outro comentário espirituoso de crianças de 4 anos, durante o espetáculo Formosos Monstros, no Sesc Carmo: "Eu to com medo e você?" pergunta uma pequena para o amigo. "Ah, eu to, mas eu quero ver mais."

24 de abr. de 2010

Formosos Monstros - Centro Cultural Banco do Brasil - Sábado

O sábado amanheceu coberto por nuvens de chuvas. O Cristo oculto entre elas. Dia de histórias. Sala de cinema cheia, 140 pessoas. Gente voltando. Crianças entrando com o DVD nas mãos. Projeto do Cineduc,  formação de platéia. Belo projeto. A criança assiste filme de qualidade e todo mês vem um convidado: um dia um músico, noutro escritor, contador de histórias - ótimo, minha vez de ocupar esse espaço. Recebem um presente de arte: cd, livro. Hoje foi a vez do Formosos Monstros. Toda atenção voltada pras histórias e as perguntas "porque não tem o minotauro? e lobisomem?" Ufa! Seria preciso meia duzia de dvds pra falar de toda essa turma. Aconteceu, lindo. Amanhã posto fotos e compartilho com vocês mais um pouco desse mundo dos encantados.

1 de abr. de 2010

A arte de contar histórias no século XXI - tradição e ciberespaço

Hoje, eu gostaria de falar da contação de histórias, porém ancorada no suporte digital. Tem disso também. Na contemporaneidade, ela se afirma como uma modalidade artística e configura-se, como forte aliada na formação de leitores. Frequentemente é solicitada para animar - dar ânimo, alma - aos programas de leitura e eventos, onde o livro está presente.

A sua função pode ter se alterado nesta longa trajetória que se confunde com a idade do homem, mas não a sua característica expressiva. As marcas da oralidade sopradas pela voz do narrador, seja o de outrora ou o atual, continuam hipnotizando os ouvidos atentos. E o caminho, que se iniciou ao redor da fogueira, passou pela beira dos rios, escorregou aos pés da cama, chega agora ao ciberespaço , espaço viável para a construção de sentidos.

Fazer uma leitura da contação de histórias no século XXI implica em olhar para a arte digital e suas condições estéticas. Como se apresenta a narração oral no computador? Quais os gestos expressivos que podem envolver o internauta-navegador? Qual o tempo da narrativa digital? No que esse tempo se diferencia do tempo da narração presencial? Qual o ritmo que a narração oral apresenta, quando se apropria desse suporte para se expressar?

Se as perguntas são muitas e algumas vezes ainda sem resposta, uma coisa é inquestionável: à medida que as linguagens se transformam, se expandem, desdobram e se tornam mais elaboradas, mais sentidos elas sugerem ao leitor, que pode ver-se diante de uma mudança de horizonte, segundo as premissas da Estética da Recepção.

Minha experiência com a narração oral de histórias no meio digital tem como resultado a produção quatro CD-ROMs: Contos e encantos dos 4 cantos do mundo; Lendas Brasileiras, Nos Campos do Paiquerê e o último, recém-lançado, Formosos Monstros, um game, que apresenta essas personagens bizarras criadas pelo imaginário popular.

Sem querer dar respostas antecipadas às perguntas aqui lançadas, diria que há caminhos, ou melhor, mares a serem navegados por quem deseja explorar as possibilidades da contação de histórias no século XXI. O ciberespaço é apenas uma delas e voltarei a esse assunto numa próxima postagem, quando vou falar sobre a experiência de construção dessa tecnologia lúdica e educacional.

Mas, não importa o suporte, não importa o local: se junto ao fogo, às margens do rio, ao redor da cama ou na frente de um computador. O que envolve mesmo é uma história bem narrada. E a arte de contar de histórias, tal qual um camaleão, se adapta ao tempo presente, por meio da voz do sujeito-contador, para nos fazer sonhar mais uma vez, mesmo que seja em frente ao computador.

 Clicando na capa dos CDs, ao lado, você poderá assistir um vídeo de cada um.

Foto: Cléo Busatto. Crianças apreciando o CD-ROM Lendas Brasileiras durante o projeto Raízes Brasileiras no espaço cênico Pé no Palco, Curitiba.

27 de fev. de 2010

Paiquerê

Paiquerê é o paraíso. Todos sabem disso. Sabem que os campos do Paiquerê são belos e férteis, banhados por riachos que correm sobre seixos brancos. Fica lá, entre os vales do rio Ivaí, Piquirí e Iguaçú. É no Paiquerê que mora o lobo-guará de pelo dourado, o capim-gordura, as pitangas vermelhas, os urus, maracanãs e os pinheiros, a casa da gralha azul.

O Paiquerê é como a felicidade. Todos querem encontrá-lo, mas poucos conseguem. O Paiquerê está em toda parte e em parte alguma. Para quem não tem cobiça, ele se mostra como um lugar farto em frutas, luminoso e acolhedor.

Fica nas terras altas, bem pertinho do céu. Lá, as águas são mansas e a terra tem seu chão enfeitado pelas flores amarelas do ipê. É no Paiquerê que vão descansar as almas dos guerreiros e dos pajés.

Os índios contavam para o homem branco, como era o Paiquerê. Indicavam o caminho que levava até ele, mas para o aventureiro,ávido apenas por tesouros, o Paiquerê se escondia e o homem branco se perdia no sertão.

O Paiquerê é assim. Só se deixa ver por quem sabe admirá-lo e respeitá-lo.
Assim é o Paiquerê, o paraíso dos Kaingang.

A estrela de Belém

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