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26 de jun. de 2012

A palavra bem dita, bendita palavra


Como narradora oral de histórias sei que a força criadora da palavra reside naquele que a profere. Quando se pronuncia com alma, falar se  torna um exercício de afetividade e ternura. Para começar, eu diria, conte histórias na sala de aula e fora dela; no pátio, embaixo das árvores, em cima das árvores, no balanço. 
Conte muitas histórias. Conte para despertar, para acalmar. Conte porque você está com vontade ou conte porque seu aluno quer ouvir. Conte em pé, sentado, dançando, cantando. Mas conte. Conte por contar. Conte para instigar. 
Depois, convide seu aluno a contar, seja uma história que ouviu, leu ou inventou. Uma ficção ou uma história de verdade. Estimule a fala estética e a prática do discurso oral. O exercício da linguagem organiza o pensamento, no diz Vygotsky. 
A oralidade, como recurso pedagógico, faz a ponte entre as diversas áreas do conhecimento.

2 de jun. de 2012

I Meeting Nacional de Educação Tecnologia


"Se a educação sozinha não pode transformar a sociedade, tampouco sem ela a sociedade muda (Paulo Freire, 2000). 
I Meeting Nacional de Educação é um evento que busca trazer à discussão temas de grande relevância, bem como, relembrar e aprofundar conhecimentos e ampliar a troca de experiências entre os congressistas das várias Instituições e níveis de ensino.
Entendemos a necessidade da transformação que no que tange à estruturação dos sistemas educativos e à construção de práticas educacionais que atendam à diversidade. Por meio dos diálogos com teorias científicas pertinentes, políticas públicas, práticas pedagógicas e pesquisas realizadas na área, para que possam contribuir para um aprofundamento sobre as relações entre inclusão e educação, igualdade e diferença, na sua complexidade e multidimensionalidade, e instrumentalizar os educadores para o exercício de seu papel como agentes da inclusão sociocultural."



21 de mai. de 2012

Desconstruindo o medo


  
   Certa vez fui a uma escola de educação infantil contar lendas brasileiras. Entre elas a história do Papa-Figo, monstrengo herdado da tradição oral africana, um devorador do fígado das crianças mentirosas. Com uma narração lúdica e bem humorada, o conto se encaixou entre outros mais conhecidos, como Caipora e Cobra Norato. No final da apresentação, algumas crianças exorcizaram o medo me enfrentando ao dizer:
   - O Papa-Figo vai comer o teu fígado. O Papa-Figo vai comer o teu fígado.
   Eu me diverti com a argúcia dos pequenos, afinal eu contei uma mentira para eles, Papo-Figo não existe. Ao voltar à escola, a diretora comentou que no dia seguinte, várias mães reclamaram do programa narrativo, pois seus filhos ficaram com medo e não quiseram dormir de luz apagada. Na época, dez anos atrás, discorri sobre a importância dos contos na formação da criança e as possibilidades que eles abrem para se lidar com os afetos.
   Os Irmãos Grimm têm um conto que aborda esse tema. Chama-se O rapaz que saiu em busca do medo. O personagem quer experimentar esta sensação de que todos falam, mas que ele não conhece. É assim que as histórias nos preparam para a vida e nos oferecem a possibilidade de reconhecer os sentimentos por meio da sua linguagem fantasiosa. Não identificar esta qualidade dos contos significa deixar escoar pelos dedos uma rica possibilidade de aprendizagem.
   Também sugeri a retomada do tema moldando em argila o monstro que coabitava a cama das crianças, para em seguida desconstruí-lo. Essa é uma abordagem para lidar com afetos difíceis. Assumir sua presença e o desconforto que eles provocam. Impedir que a criança conviva com o medo só irá inibi-la de descobrir a coragem, pois só saberemos de um ao experimentar o outro. Ao sufocar o medo e demais sentimentos dessa natureza, apenas lhes conferimos mais poder. Mais acertado seria aceitá-los como condição do momento, trazê-los para perto e sentir o que eles têm a dizer. E no tempo certo deixá-los ir, cientes de que não fazem mais sentido. Acolher a complexidade dos afetos humanos é se educar para ser livre e ampliar a consciência sobre si mesmo.

14 de nov. de 2011

Titicaca, um mestre


O Titicaca encanta e desconcerta. Viver sobre um chão de totora trançada sob um lago de 200 metros de profundidade não é pra qualquer espírito. É preciso desapego e amor pelas águas e por Mamma Kotta, a mamma del lago, a divindade que os protege, naquela imensidão de água doce. Os povos do lago sabem disso.
- Nossos avós já sabiam que há muitos mistérios em Uros e que não se pode viver ali. Por isso agradecemos a Mamma Kotta, pedimos proteção e permissão para viver nela. Temos muito respeito por Mamma Kotta.

Assim fala Rita, uma moça linda de olhos negros e brilhantes, sorriso aberto e com muitas histórias pra contar, tal como seus avós, os contadores de histórias do seu povo. Ela veio a mim como um presente da deusa. Rita é uma das moradoras das ilhas flutuantes de Uros. Na sua comunidade, Chantati, vivem seis famílias. Ela ocupa a função de regidora, a representante das mulheres de Uros.

Rita fala com entusiasmo da sua casa, as plataformas de junco do Titicaca, onde nasceu e pretende ficar. Como está acostumada com o pisar macio da esteira flutuante, andar na terra lhe cansa muito. Contou que numa ocasião foi visitar Taquile, outra ilha do lago, porém de terra e, que após atravessar dois montes já não tinha forças. Estranhou o lugar e tinha necessidade de ver a água de perto e tocar as totoras, o junco que lhes serve de chão, matéria prima da casa e dos barcos que os conduzem a outros sítios, nessa região inóspita e de ar rarefeito, a quase 4.000 metros acima do nível do mar. Saudade de tocar a totora, sua comida e combustível pro fogo.

- O lago nos dá força e energia. Eu não poderia viver na terra. Para mim é uma graça, meus pais terem me dado à luz em meio ao lago. É uma emoção única dormir e despertar com as aves, vendo as estrelas, o céu azul, acordar com o sol.  Para mim é o paraíso.

E as crianças? Elas brincam nesse pedacinho de chão dourado e quando se trata de estudar são iguais às outras crianças do mundo, deixam as tarefas escolares pra última hora e muitas vezes resolvem isso no caminho, ou seja, no barco que as leva até a escola, também no lago. Pequeninas e já enfrentado o Titicaca. Há que se ter coragem para vicejar no Titicaca. 

29 de set. de 2011

Itapiranga e o rio - De caso com a letra I, parte 3

O município de Itapiranga fica no final de Santa Catarina, do ladinho da Argentina, na esquina do Rio Grande do Sul, ao lado do rio Uruguai. O Uruguai não é um rio qualquer. Tem alguma coisa de mítica boiando nele. Às margens do Uruguai, eu contei histórias de outros rios despertando nas pessoas o imaginário da água. Água evoca vida, purificação, regeneração. Os personagens enfeitiçados dos contos de fadas banham-se na água, e recuperam a forma inicial. Rio sugere a imagem da fertilidade e da fluidez. Se deixar levar. Foi uma passagem meteórica abaixo de chuva, mas o suficiente para ser tocada pelo rio e mexida pelas emoções despertadas pela água. Fico imaginando como deve ser estudar numa escola com uma vista como aquela. Falei sobre leituras e leitura literária, e como as histórias podem resignificar nossas vidas. Na plateia, seiscentos educadores que nem piscavam, feito criança sendo levada pela fantasia.
    Antes, eu é que fui seduzida pela apresentação artística dos pequenos. Uma turminha de três anos brincou de encenar a história da Branca de Neve e seus anões. Lá eram anões pra mais de dez. Deixaram-se levar pelo faz de conta, embalados e conduzidos pela narrativa envolvente da professora. Um encanto. São projetos dessa natureza, com profissionais assim comprometidos, que reafirmam que a educação ali vai bem.
O convite que partiu da Coordenação dos Cursos de Licenciatura, da Faculdade de Itapiranga possibilitou a continuação do me caso com a letra I.
 Depois de Itaguaçu e Ibirama, Itapiranga. Sempre que embarco para essas regiões distantes, me sinto uma caixeira das letras, como sugeriu um amigo, quando falei que parecíamos caixeiros-viajantes. Gosto desse movimento. Ainda que o cansaço se manifeste, por conta dos deslocamentos, inúmeras esperas nos aeroportos, trechos por terra, quando concluo o trabalho e acolho os retornos dos participantes, sinto-me recompensada.
Percebo-me útil e cumprindo meu papel social, afinal é isso que deixo para o mundo, é pra isso que estou aqui, pra compartilhar meus saberes, e o que volta pra mim dinamiza minha produção e compreensão de mundo, de vida e das relações. E a roda gira. Outra vez eu vou, doo alegria (e lembro-me das palavras de Bachelard, a imaginação trabalha mais onde vai uma alegria!), recebo amor, produzo novas histórias e me sinto bem.

29 de ago. de 2011

A memória e a história, tecendo sensibilidades

Fazia frio em Francisco Beltrão no dia da formação. O grupo dos professores de literatura se esquentava com chimarrão. Essa herança da cultura sulista está presente em várias cidades do interior do Paraná. Em vez de água se toma mate. Pois é, não há frio que resista ao mate... e uma roda de histórias.

 A voz poética despertou a memória. A história de cada um reforça a identidade do sujeito narrador. Dela surgem vestígios de um passado distante, vozes ancestrais que um dia lhe contaram uma história.                                                                      
Talvez o tataravô do tataravô a tenha ouvido e, nesse momento, vestígios genéticos se agitam no íntimo do seu ser, afirmando que aquela cena já foi sua. Logo depois, outra lembrança insiste em se tornar real. Alguém... Pai, mãe, avô, avó, quem? Quem ouviu essa história primeira, deitado na cama após o chá de capim-limão? Não importa, sem dúvida. Quando se acordam essas lembranças e se compartilha com os companheiros de roda, preserva-se não só a própria história, como se fortalece os laços que unem os sujeitos. 
E foi assim, no dia chuvoso e frio. Saímos com a alma aquecida. O bom de lidar com a literatura é que o trabalho sempre tem gosto de diversão e arte.

19 de ago. de 2011

(De caso com a letra I, parte 2) Ibirama, ligada pelos bits

criança ouvindo história se larga no chão
Os caminhos que nos levam às pessoas e aos lugares são diversos. Nesse tempo de tecnologia digital somos encontrados e conectados por esse meio. As redes aproximam pessoas. Ter um blog ou um site no ar é se mostrar ao mundo. Há vantagens e desvantagens nesse universo. Depende de como nos apropriamos dele. Às vezes nos expõem perigosamente, outras favorece trocas de saberes e afetos.

Com Ibirama foi assim, um encontro virtual, que se iniciou por um email que dizia, Cléo, sou uma leitora e apreciadora do seu trabalho. Alimentado amorosamente através de outros emails, e quando a gente se deu conta, tínhamos encontro marcado. Quase um caso virtual, não fosse a materialização, após inúmeros acordos. E foi um caso de amor a três, eu, Neusa e Rosimeire, coordenadoras da NTE Ibirama, mulheres incansáveis, profissionais dedicadas e competentes. E gracinhas!  Meus casos são sempre bem escolhidos. 

Nosso encontro aconteceu em julho, na FLEITEC, 2ª Feira da Leitura e das Tecnologias, onde falei sobre essa pesquisa (?) brincadeira (?) investigação (?),  céus, que nome dou a essa curiosidade digital, que originou os CD-ROMs de narração de histórias nesse meio? O certo é que o resultado é mais do que uma mídia de histórias. É um software que apresenta múltiplas possibilidades para o professor trabalhar  a inclusão digital.

E, nesses eventos a gente amplia os casos, conhece pessoas, ouve histórias. Foi assim durante a viagem de ida, numa interminável espera pela liberação da rodovia, fechada por conta de um acidente. Mas, eu estava bem acompanhada e distraída pelas brincadeiras e bons  humores dos meus companheiros, os meninos da Secretaria da Educação, Luiz e Ricardo e a doce contadora Felícia. 

Com a cidade, o caso de amor ainda está se construindo. Marcamos um segundo encontro, na inauguração da tirolesa. Serei a segunda a descer. Ai terá se estabelecido outro caso de amor! 

18 de jul. de 2011

O Fio da História - por uma educação pela paz

   Estar com um novo livro em mãos é sempre um prazer e uma grata sensação de ter conseguido materializar uma ideia. A produção literária é uma tarefa curiosa, porque pede um tempo para se construir por si só. Comigo acontece assim, eu vou reunindo as reflexões dentro de mim e depois largo, deixo que elas convivam, umas com as outras. Aí se dá uma produção subjetiva de refinada arquitetura e quando me dou conta, é só puxar o fio da história.
  Agora convido você a conhecê-lo. Com ele proponho novos olhares sobre oralidade e narração de histórias, através de quatro projetos que integram as linguagens oral, plástica, cênica e sonora. O livro é um registro de trabalhos desenvolvidos com a palavra falada, durante minha prática pedagógica.
   O livro é dividido em três capítulos. O primeiro, A memória e a história: fragmentos e encaixes apresenta o projeto Livro da Memória. O segundo, Puri, o sopro criador sugere a Roda da palavra e seus desdobramento. O elemento sensibilizador desse segmento é o mito de origem do povo Wapixana, A árvore de Tamoromu. No terceiro capítulo, A palavra revelada, indico duas atividades: construção do Livro-dobradura inspirado pelo conto, Mulher-Sol, homem-Lua. e Teatro de bonecos, onde oriento a adaptação para roteiro cênico do conto Cobra Norato, a construção e a manipulação dos bonecos.
   O livro apresenta projeto gráfico e ilustrações de Paulinho Maia. A editoração é da Arte & textos e a produção da CLB Produções. O projeto foi realizado com recursos da Lei de Incentivo da Prefeitura Municipal de Curitiba – Fundação Cultural de Curitiba. Contou com o incentivo da Volvo e Clinipam.


O lançamento em Curitiba será no dia 06 de agosto na Bisbilhoteca, Rua Carlos de Carvalho, 1166. Estarei lá para um bate-papo com o leitor às 11hs e 15hs. Espero você.

14 de jun. de 2011

Desempacotar as emoções


Quando se está aberto para receber vem um presente atrás do outro. Maio foi o mês de Itaguaçu. Quinze dias na cidade de quinze mil habitantes, plantada no interior do Espírito Santo. Bendito Espírito Santo. O que coloca no meu caminho mil e quinhentas crianças encantadas, pequenas faíscas de luz pipocando em olhos multicoloridos? Quando estamos prontos, as coisas chegam redondinhas, saborosas, feito os quitutes da cidade. Ah, os pães de Itaguaçu... Só mesmo mãos generosas para sovar aquela maciez. E os presentes vêm na forma de fruta, doce, comida, sorrisos e abraços. A gente fica gorda de tanto afeto e o peito expande, quando se toma conhecimento dos significados que a Feira Literária lançou na cidade. Um menino diz que para ele, a feira despertou a beleza com o encantamento das apresentações e o sentimento espiritual. Ora, também fiz parte desse processo, que para essa criança se revelou no Belo e no Mistério e gerou sua fala inspirada, registrada num bilhete escrito a lápis e com letras tortas.

Depois, os presentes vieram do workshop de narração de histórias. Foram tantos. Uma participante diz, ela nos desempacotou. A menina de nove anos conta sua história com estrutura literária, e em seguida chora ao falar da saudade que sente do irmão, que morreu recentemente. Só dá mesmo para acolher e acalentar pela via do poético e do sensível. A história como sujeito. A memória como espaço mítico. A técnica como caminho. O repertório como meio. A narração como um ato de entrega. Foi por aí que a gente andou naquele final de semana friozinho e de céu azul.

Como dimensionar a forma com que nossa arte e expressão chegam até o outro? Como saber o que vamos provocar, quando desempacotamos emoções? Não sei. Sei apenas que é importante estar sempre como um grande coração, silencioso, escancarado, afável e receptivo. Aí não paramos de receber dádivas. E penso na formação do profissional da educação. Nas práticas e teorias, aprisionadas e empobrecidas, porque restritas a dualidade corpo/mente. E penso num processo por onde se pode transitar desse modelo binário de ver e atuar no mundo, para outro, circular e ampliado pelas múltiplas inteligências, pelas múltiplas dimensões, que abarca também o mítico e o sagrado no cotidiano. Dessa forma, dá para gente abrir as mãos e voltá-las para cima e aceitar o que vem do alto, ainda que isso nos provoque alguma dor. Mas só assim nos tornaremos mais inteiros e por fim mais felizes e gratos pelo que a vida nos dá.

9 de mai. de 2011

Flipoços 2011

O 1º Encontro da Educação, evento que aconteceu na VI Feira Nacional do Livro de Poços de Caldas, gerou algumas reflexões compartilhadas no Boletim de Maio. A grande alegria foi encontrar a Tatiana Belinky, homenageada da feira, estampada por todos os cantos.
Tatiana impulsionou minha carreira literária. No final dos anos 90 levei à sua casa um roteiro de peça para criança. Ela leu e proferiu, isso é um conto para crianças. Está praticamente pronto. Porque não pensa em publicar?
Levei a sério e anos mais tarde publicaria meu primeiro livro para crianças, Dorminhoco, que dedico a ela. Também levei a sério, quando ela disse que as historias são um treino par as emoções. Essa frase ficou ecoando dentro de mim e hoje, silenciosamente, agradeço Tatiana, porque cada vez que eu vou falar para um grupo de pessoas, sobre literatura, histórias escritas e narradas, ela surge na minha frente, com seu ar de pisciana dócil e sonhadora.
Tatiana faz parte desse pequeno universo de grandes pessoas que mudam a vida das outras. Ela mudou a  minha, quando validou minha escritura e minha imaginação. Agora sou eu quem está aí, com essa tarefa de ler o outro e dizer, siga em frente. 
Semana que vem estarei em Itaguaçu, nas montanhas do Espírito Santo. Todos os dias recebo dezenas de emails dos alunos, dizendo-se ansiosos pela minha presença. Que estão lendo meus livros, que gostam do que leem e que desejam que eu seja feliz na sua cidade. Eu serei, meus queridos. Com tanto carinho junto, como não seria? 
A passagem por Poços foi rápida mais intensa. Os afetos que as pessoas lançam não se desfazem mais. Ao contrário, se materializam e deixam marcas no corpo, nos sentidos, no coração e no espírito. Poços de Caldas, eu volto para lá.

25 de abr. de 2011

Workshop à vista


A escritora e contadora de histórias Cléo Busatto vai ministrar um workshop sobre a arte de contar histórias, nos dias 04 e 05 de junho.

No programa cinco abordagens:

- a história como sujeito.
 - a memória como espaço mítico.
- a técnica como caminho.
- o repertório como meio.
- a narração como um ato de entrega. 

A inscrição dá direito ao livro Contar e encantar – pequenos segredos da narrativa, (editora Vozes), onde a autora apresenta sua técnica e propõe reflexões sobre essa arte milenar.
 
Local: Espaço Paz e Bem. Alameda Princesa Isabel, 274, Curitiba.
Sábado, 04 de junho das 9 às 18hs e domingo, 05 de junho das 9 às 13hs.
Informações: 41 3024-7342  - atendimento@cleobusatto.com.br

22 de abr. de 2011

Futebol, histórias e Páscoa


contos de Natal em Brusque, 2008
Quarta-feira, voltando de uma sessão de histórias, cruzamos com os torcedores do Atlético. Ao contrário do nosso passo, contemplativo e lento e do semblante quase em êxtase pelos afetos e efeitos da narrativa, os torcedores pisavam forte e suas caras contorcidas demonstravam insatisfação. Comentei com o narrador, como seria se esse mesmo público que vai aos estádios e participasse também das rodas de histórias.
A gente vai fazendo do jeito que sabe e acredita, sem esperar retornos. Apenas doamos aquilo que temos de melhor e deixamos a vida provocar as transformações. Apenas entregamos. Ah! Como é difícil a arte de entregar.
Que a Páscoa seja a renovação que a gente deseja pra nossa história e pra história do mundo.

16 de abr. de 2011

O eco das histórias (Boletim Abril)

Nas minhas andanças contando histórias chego também a lugares onde paira o signo da desarmonia, com barulho e gritos, tanto das crianças, como dos adultos que estão ali para orientá-las. Corre-corre e histeria disfarçada de educação. De cara penso, será que vou dar conta de narrar aqui? Inicio a sessão com uma rápida apresentação pessoal, no intuito de preparar o público para a escuta sensível, já que nesses espaços é necessário um tempo para que o silêncio se estabeleça para depois vingar o prazer e a entrega à batida leve e compassada das histórias. E assim se abre uma fenda para o maravilhamento no qual mergulhamos todos e 40 minutos de narrativa, se tornam incontáveis minutos de contentamento e comunhão com a fulgurância da ficção.
    Despeço-me do público e do espaço onde deixei as histórias. Ao virar as costas, novamente barulho e gritos. Uma pergunta ressoa no meu interior: como criar um movimento de sensibilização para a fruição literária e todos os desdobramentos que ela proporciona, se o ambiente em si deseduca e anda na contramão do que acabou de se propor, ou seja, um tempo de silêncio preenchido de sentidos, pela via da arte? Como andar pela dimensão da razão sensível (como quer Maffesoli) se os sujeitos responsáveis pelo ato de educar não seguem por essa via?
    Ainda há muito que se fazer no campo da educação e a aprendizagem mais urgente, talvez seja caminhar com amorosidade, substituindo cara feia por sorriso, grito por canto, rigidez por acolhimento. Se o sujeito-educador não firma um acordo consigo próprio, de se educar, se flexibilizar e se transformar num sujeito mais humano, equilibrado e alegre, como dar conta de educar o outro?
    A sociedade contemporânea sofre de muitos males. As pessoas andam sem brilho no olhar, tristes, intolerantes, azedas, cegas. Falta sentido para viver, dizem alguns. Por isso vale tudo, matar e morrer, dizem outros. E a tragédia, esmiuçada até as entranhas pelos meios de comunicação, acaba sendo o alimento para o monstro. E se produz ainda mais desesperança e desespero, que geram ainda mais desgraça, e mais tragédia, e mais divulgação da desgraça, e mais descrença, e mais tragédia, e mais... ufa!. Está formada a rede do desencantamento pela vida.
    Ora, esse é o momento de desligar a TV, mudar o dial da rádio, o rumo da prosa e alimentar-se com aquilo que promove a esperança de um presente melhor, com o que traz leveza e alegria e recupera a confiança na vida. Aqui entram as histórias. Algumas têm o poder de aliviar as tensões do dia-a-dia, por nos levar para o mundo do faz de conta e do final feliz. Esse encontro com a fantasia restaura o gozo de viver.      
    Mas pra isso acontecer é importante que se respeite a força transformadora da história e se permita que ela ecoe no interior do ouvinte. É preciso aprender a ficar no silêncio e se permitir a ouvi-lo. Assim, vamos estabelecendo um outro signo, esse de harmonia e delicadeza. Vamos recuperando o sentido para vida, que nada mais é do que vivê-la bem.

8 de jan. de 2011

Leitor se forma lendo

No Caderno G Ideias, Gazeta do Povo, 8 de janeiro, artistas do Paraná discutem os rumos da cultura no próximo governo. Em tempos de fomento da leitura literária, um entrevistado diz que "é preciso evitar essas bienais de livro, que são caça-níqueis de empresas de fora do estado (...)", etc etc etc.
 
Não concordo com essa declaração. Considero-a xenofóbica e retrógrada. Ora, uma feira de livro serve justamente para o escritor se relacionar com seu leitor, veicular suas ideias, além de divulgar e vender seu livro. Esses espaços são necessários, ainda que venham na roupagem comercial. Não dá para dissociar cultura da dimensão econômica. Ela é apenas uma parte dessa cadeia de promoção do livro e da leitura. Temos mais é que ter uma, duas, dez feiras anuais, que promovam o livro e estimulem a sua circulação.

Essa visão provinciana mantém o livro na categoria de uma produção cultural elitista e privilégio de poucos, invés de vê-lo como um produto ao alcance de todos. Não dá para esquecer que as últimas pesquisas sobre leitura revelam que apenas metade dos brasileiros é leitor, considerando leitor o sujeito que leu ao menos um livro nos últimos três meses.

É importante que o livro – e aqui abro um parêntese para o livro literário – ocupe o imaginário das pessoas e passe a fazer parte do seu cotidiano, como faz a televisão, o rádio, o cinema. A Bienal do Livro do Paraná, em 2010, foi visitada por cerca de 10.000 crianças. Praticamente 90% delas vieram das escolas públicas e posso afirmar que 70% dessas crianças nunca tinha ido a um espaço de livros, seja uma feira ou até mesmo uma livraria.


Com certeza deve-se associar o livro à educação e criar mecanismos para sua fixação na comunidade. A política cultural deve prever ações nas bibliotecas e noutros espaços onde ele se encontra, como bate-papo com autores, círculos de leitura em voz alta (mediada por um adulto, quando se trata do público infantil), rodas de história e associar o livro à outras manifestações artísticas. Como também estabelecer ações que democratizem e facilitem sua aquisição, como o seu barateamento, a instituição de vale-livro. Aliás, o livro deveria fazer parte da cesta básica do brasileiro.

Afinal, só nos tornaremos um país de leitores se tivermos o livro em mãos, para ler. Leitor se forma lendo.

26 de dez. de 2010

Rede Criança e Paz

 Rede Criança e Paz é uma rede virtual dedicada a promover os direitos das crianças garantidos pelo artigo 227 da Constituição Federal. A rede é uma organização não estruturada hierarquicamente que visa conectar pessoas comprometidas com a proteção, cuidado e educação de crianças desde a gestação, e com a difusão da cultura de paz.
Tem como premissa que a primeira infância é fundamental para o desenvolvimento humano e que o que for feito em prol da criança nesta fase da vida, tem impacto em seu desenvolvimento e na situação social e econômica do país.
Missão: Ser um espaço para conexão e reflexão e ação coletiva sobre temas relacionados à primeira infância e cultura de paz.
Visão: Ser uma referência no processo de transformação qualitativa da realidade da Primeira Infância.

http://redecriancaepaz.ning.com/

7 de dez. de 2010

A cara de Salvador é Ian.

Carequinha, bochechas generosas, sorriso fácil. Esse é Ian. Essa foi a cara de Salvador, dessa vez. Ele é a imagem que criei da formação do Proinfantil, Salvador, 2010. Ian é um bebê de seis meses, daqueles que logo se vai adjetivando como uma criança fácil. Dado e manso. Participativo e perceptivo. Amor à primeira vista, desde que o vi dormindo com a bunda voltada para o céu. Dali em diante foram apenas algumas horas juntos, mas com gosto de eternidade, partilhada com afeto e leveza. Ian pede cantando. Adorável.

Eu sei que nem todas as crianças são assim. Conheci bebês que choravam o tempo todo. No prédio onde moro, vive uma menina de três anos, que chora todas as noites, histericamente, das 21h às 23h. E sua mãe grita. E ela chora.

No encontro se discutiu a autonomia, desejos e descobertas das crianças. Eu propus a reflexão sobre as histórias na formação dos pequenos. Que histórias contar? Qual o sentido de contar histórias para crianças?

Depois dessa imersão é compreensível que meu foco recaia sobre os pequenos... e seus pais. Acredito que ao olhar os pais se entende os filhos. Nascemos molinhos e receptivos e vamos sendo moldados pelo outro, pelo meio. E o outro pode nos ver como sujeito ou como objeto. Esse olhar contribui para definir uma vida, mais, ou menos harmônica; mais, ou menos feliz. Não seria o caso de rever alguns tópicos do currículo do curso de Educação?

Sou grata pela acolhida da equipe FACED/UFBA. Pelo aconchego da Licinha; a alegria da Mary; o cuidado da Monica; a companhia da Karina e do Ian; a atenção carinhosa do Cleverson e à amorosidade de todos os participantes.

A delicadeza e o riso deixam uma marca indelével na alma das pessoas.



13 de nov. de 2010

Cidade educadora, Sesc e Transdisciplinaridade

Gostaria de compartilhar algumas impressões sobre minhas andanças por espaços e cidades educadoras. Uma cidade educadora tem cidadão comprometido com o que faz. Têm sujeitos que se apropriam do objeto artístico, para se relacionar consigo mesmo, com o outro e com seu meio. Cidadão educador tem espírito transdisciplinar e transita livremente entre a arte e a ciência. Promove um saudável diálogo entre os diferentes níveis de realidade. Interage com eles, transforma e se transforma ampliando os níveis de compreensão. Um sujeito com atitude transD, inventa, se inventa, se reinventa, está em constante processo criativo e afetivo.
Olhares atentos percebem que o Sesc se avizinha do pensamento transD, à medida que proporciona à comunidade, uma pluralidade de manifestações culturais e facilita o trânsito entre os diferentes níveis de percepção. Sesc SP: Pinheiros e Santos. No primeiro, estive com espaço para promover os saberes da humanidade, por intermédio da tecnologia digital e pelo encantamento que as histórias do espetáculo de narração oral, Formosos Monstros, oferecem. O grau de concentração, busca do conhecimento e satisfação dos participantes no tempo presente, atesta o mergulho nas diferentes dimensões do sujeito.

Já no Sesc Santos, que numa parceria com a Secretaria de Educação, sediou o XXII Encontro de Educação Paulo Freire – Cidade Educadora: saberes em todos os cantos, a minha conversa foi com o professor. O silêncio na plateia era pleno de significados, algumas vezes rompidos pelo riso, outras pela contemplação..





















Posteriormente isso se traduziu em alguns presentes, como a revelação do projeto que a professora Claudia Marczak desenvolve com alunos de 9 e 10 anos. Um trabalho com mandalas “visando melhorar a capacidade de concentração, a resolução de conflitos e o contato com o belo”.
Luana e Gabriela
Mandala (que quer dizer círculo) é uma imagem que favorece a meditação e conduz à iluminação.

Camila
Enquanto representação simbólica da inteireza da psique (C. G. Jung), ela mantém e restabelece a ordem psíquica e proporciona o sentimento de que a vida reencontrou a sua ordem.

Thayná

Vinicius
Agradeço aos professore presentes, a Lygia Barbieri e equipe da SEFORM, a Marise e ao Alexandre, das unidades Sesc Santos e Pinheiros, por fazerem desses espaços, um lugar  para despertar os sentidos.

30 de out. de 2010

Um olhar transdisciplinar para a arte de contar histórias

Contar histórias é uma arte antiga, originária no imaginário de um povo e antecede a linguagem e a cognição. Considero aqui o papel do imaginário, pois ele se apresenta como condição para o conhecimento, unindo as diferentes dimensões da realidade e refletindo esse homem inteiro. Seguindo o raciocínio de que contar histórias precede a linguagem verbal, logo me vem à mente a imagem do homem pré-histórico, que ao pintar um bisão na parede da caverna, contava e deixava ao mundo a sua história. Sim, porque é possível contar histórias se apropriando de diversas linguagens, ou antes, diversos suportes. Assim, a literatura escrita ou falada narra uma história, bem como a música, a dança, o cinema, as artes visuais e as novas tecnologias digitais.
Porém, meu foco recai sobre a narração oral e o conto narrado. O contador de histórias surgiu da necessidade de perpetuar o imaginário individual ou coletivo e, nesse contexto desempenhou um papel especial. Ele é a ponte que liga o mundo de fora ao mundo de dentro. Em várias civilizações e tradições, o narrador é o mantenedor do sistema mítico e dos valores da sua comunidade, como também um instrumento que operacionaliza o acesso aos diferentes níveis de realidade.
Se o narrador é a ponte que liga um lado ao outro, o conto é o que escorre nesse vão. A história é a expressão do pensamento mítico do ser humano e uma via ao mundo imaginal, ou seja, “o mundo no qual se espiritualizam os corpos e se corporificam os espíritos”, segundo definição de H.Corbin. O contador de histórias liga as diferentes dimensões. Cria imagens no ar materializando o verbo e transformando-se ele próprio nesta matéria fluída que é a palavra. Empresta seu corpo, sua voz e seus afetos ao texto que ele narra e o texto deixa de ser signo, para se tornar significado. Ele nos faz sonhar, porque consegue parar o tempo apresentando um novo tempo, que se avizinha com o continuo aprender e tem como mediador kairós. Ao congelar cronos, essa dimensão passível de ser medida e seguida, abre-se para a dimensão de kairós, essa relacionada com a possibilidade de se estar presente no presente. Por essa via entra-se num estado de escuta flutuante. Esse conceito é uma alusão à atenção flutuante, de Freud. Por escuta flutuante entendo o se entregar ao que é narrado, sem avaliação e julgamentos, deixar-se levar por um estado de concentração, que liga o ouvinte ao emissor. Ao contrário da atenção flutuante que se opõe à contemplação, a metáfora da escuta flutuante só se completa numa perspicaz contemplação.
Para isso deve-se considerar a qualidade do conto narrado. Ao ouvir uma história atemporal, significativa, cuja arquitetura estruturou-se a partir de símbolos reconhecidos pelo nosso ser interno, somos sugados do nível prático e lançados na dimensão do sonho. Ali, podemos transcender os limites do nosso mundo pessoal fundado em dores e alegrias e nos introduzir na universalidade das vivências e dos sentimentos humanos. Por meio dessas histórias descobrimos que amor e egoísmo, angústia e contentamento, covardia e coragem, crueldade e compaixão, não são privilégios de uma época ou cultura, nem benção tampouco maldição. Elas nos recordam que a busca por uma vida de paz, livre de conflitos e sofrimentos, não é prerrogativa de poucos, mas se estende à condição humana. Essas histórias tem o poder de aproximar o que está longe e reintegrar o que está fragmentado. Histórias dessa natureza ativam o imaginário, provocam o devaneio, nos arrancam de um estado racional para nos aproximar de níveis mais refinados, como o plano do mistério e do sagrado.
Por meio dessas reflexões digo que contar histórias implica numa abordagem e numa atitude transdisciplinar, porque coloca o ouvinte em contato com diferentes níveis de realidades, a partir de onde são ativadas diferentes dimensões do nosso ser. Na dimensão do prático e gestual que se processa por meio dos sentidos, ouvimos, vemos e sentimos o narrador que com seu corpo, voz e afetos nos oferece sensações indescritíveis. Por meio dessa dimensão definimos se uma história é agradável ou não para nós. Mobilizamos também a dimensão lógica e epistêmica, orientada pelo pensamento que se encarrega de produzir conceitos, fazer leituras para a história ouvida. Teorizamos a prática do contador, buscamos uma hermenêutica que justifique a história e o imaginário do povo que deu origem ao conto. Contextualizamos e conceituamos esse conto.
Ao nos permitirmos àquela escuta flutuante ascenderemos à dimensão do mítico e do simbólico que é orientado pela percepção intuitiva. Experimentamos nossas representações e os sentidos que escorrem por elas, resignificamos nossa história a partir da história narrada e ampliamos nossa consciência superior. Ouvir uma história por meio dessa dimensão possibilita a criação de novas conexões com o nosso inteiror, tornando-nos mais despertos e possibilitando a subida a escalas superiores, em direção a dimensão do mistério, do indizível e inexplicável. Por meio desse nível, orientado pelo sagrado, cessam as diferenças ao unificar-se objeto e sujeito, pensamento à experiência, efetivo ao afetivo. Nessa religação entre o que estava fragmentado ocorre a transcendência, a restauração da inteireza do nosso ser e a vivência do pertencimento a algo maior.
Contar histórias ativa essas dimensões, esquecidas por não serem experienciadas e da qual fomos desconectamos, talvez sem saber, e lançados nas brumas do tempo com venda nos olhos. Essa vivência nos proporciona um contato com o vazio que tudo contém, com o silêncio que traz significações. Podemos dizer que ela nos coloca em contato com o Tao, Self, Deus. Seja qual for o conceito que atribuímos a ela, essa viagem interior nos religa ao todo e faz com que nos sintamos parte integrante do universo. Proporciona um alento para o espírito e traz uma confortável sensação de se estar em paz.
Ao refletir sobre esse aspecto da narração de histórias podemos ver o contador como uma espécie de xamã, que ao manipular forças invisíveis por meio do narrado, atua muito próximo da essência, onde tudo é imaterial e por meio do qual chegamos àquele canto da mente, onde tudo é silêncio, onde sou minha própria consciência. E o contador de histórias, ciente da sua função, ao lançar mão do seu corpo, voz, afetos, coração e significações pessoais, pode provocar poderosas alterações no seu ouvinte. Pode restaurar o riso esquecido, a autoestima perdida, a autoconfiança, fé e esperança na vida. Mas, se o contador não tiver sido tocado por essas luzes, se não fizer soar as histórias que podem nos conduzir a níveis superiores de consciência, sua narrativa será mais um passatempos, esvaziado de sentido, como os tantos entretenimentos oferecidos pela cultura dominante.
Então, que venham as boas histórias e um contador sensível e comprometido com ela. Que venham os contos, cantos e os encantos, para embalar nosso coração e restituir a esperança de que viver bem, sob quaisquer circunstâncias é possível para todos.

8 de out. de 2010

Três momentos na Bienal do Paraná

No Circo das Letras com o Formosos Monstros. Curadoria do espaço e apresentação diária. A conversa com os pequenos gira sobre, monstro existe ou não existe? Com os maiores dá pra discutir o processo de feitura dos vídeos do CD-ROM. Muita atenção e surpresa ao saber que dá tanto trabalho.
A menininha pergunta "isso é prá chamar o unicórnio?" 
instrumento para atrair unicórnios
No Café Literário a conversa foi pequenos leitores, grandes leitores, com Rodrigo Lacerda e mediação do editor do Gaz+, Cristiano Freitas. Vivemos um momento especial na recepção do livro literário no Brasil. Nunca se falou tanto em leitura e do texto ficcional. Jovem lê. Lê aquilo com que se identifica.

Um grupo me cerca. Participantes de uma oficina literária da escola onde estudam. Muita pergunta e a certeza de que iriam levar novidades pra casa, minha mãe que se prepare para ouvir.
Fórum sobre qualidade na literatura para crianças e jovens. É importante ouvir o jovem, dialogar com ele, saber o que ele deseja ler. Impor uma leitura só mantêm as coisas como vem sendo há décadas. A escola precisa ficar atenta pra isso ou permanece no seu papel autoritário de dizer o que é bom pra mim.

E assim foi !

A estrela de Belém

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