22 de jan. de 2012

Mínimas (2)

Barry

Agir com livre-arbítrio não significa levar a vida com rédeas curtas, ansiando pelo controle absoluto das situações, mas sim, soltar e acreditar na mão cósmica do Divino. Ufa! Isso pede desapego, coragem e confiança. É tarefa das boas. Mas também, se fizer direitinho a gente tem uma recompensa à altura: liberdade, harmonia e paz interna.

15 de jan. de 2012

Mínimas (1)


Mason
A consciência é a minha contribuição para uma realidade mais harmônica, dizia ela   cheia de si, esbanjando sabedoria. Logo depois, na esquina, colocou a cabeça pra fora da janela do carro e esparramou toda a sua raiva sobre a motorista do veículo à sua frente, que não conseguia fazer uma manobra rápida pra estacionar roubando cinco minutos do seu  precioso tempo de consciência. 

5 de jan. de 2012

Renascer


Meu gato me acordou cedo, 4h30. Disse, hora de renascer, abra os olhos, o mundo aqui de fora lhe espera. Miau miau miau. Despertei e me abracei. Tão cedo. Por que alguém resolve nascer a essa hora? 
Tão mais fácil às 9, 15, 18. Quatro e meia, veja só! Está bem, vamos ativar esse centro de energia interior, despertar meu sol e receber esses impulsos benéficos, afinal não é todo dia que se aniversaria. 
Para mim o ano começa hoje, não tem folhinha que me convença do dia 1º de janeiro. Para a astrologia começa em março, no dia 21. Para os chineses, no início da primavera, janeiro ou fevereiro, mas não tem dia certo. Muito mais coerente, recomeçar com a natureza. Também penso assim.
O curioso foi esse miado insistente do Mel, logo tão cedo. Durante anos, considerei que nasci às 4h30. Hora de certidão de nascimento. Acostumada com o mapa astral, Capricórnio ascendente Sagitário. Anos mais tarde, minha irmã, dez anos mais velha que eu, chegou e desfez minha crença ao dizer, imagina, que você nasceu de madrugada. Era quatro e meia da tarde. Eu lembro muito bem. Estava um calor infernal. Eu estava na casa da Maria Enir e vieram avisar que minha irmãzinha havia nascido. Corremos pra lá. E encontramos uma menina linda, cabeluda, que só vendo. Tão pequena e aquele cabelo todo cacheado....
????? Então tá, pensei. Lá vou eu refazer o meu mapa. Agora sou uma capricorniana com ascendente em gêmeos. Não é que tem a ver? Mas que drama. Vou ter que me acostumar com  outra personalidade. Deu tanto trabalho pra edificar essa. Ufa!
Que será que o Mel quis me dizer hoje? Bom, uma coisa eu sei, foi no dia 5 de janeiro e pronto. Rejubilo-me com meu renascimento, grata por estar de bem com a vida, grata por estar viva e estar bem.

27 de dez. de 2011

O livro que fechou o ano

Noites do canto e do conto - os mais belos causos e contos do povo itaguaçuense.

Quando fui convidada para a Feira Literária e para a Semana de Formação dos Educadores, eu fui espiar Itaguaçu na rede. Logo que abri o site, duas imagens atraíram meu olhar. Seu entorno e um grupo de senhores tocadores. Ao lado estava escrito, Noite de Contos de Santo Antonio. Logo meu santo de coração. Naquele momento pensei, que gostaria de ter vivido com eles aqueles instantes de magia. Sou uma mulher que respira a oralidade, pensa a oralidade e oraliza seus afetos. Que presente seria estar presente. E não é que a magia se realizou? Sou convidada pela Secretária de Educação, Cultura, Esporte e Turismo, Sonia, uma mulher com jeito de fada-madrinha, para organizar esse livro, e apresentar Itaguaçu aos itaguaçuenses. Veja só, que responsabilidade. Organizar as histórias que soaram nas noites dos cantos e encantos.
É mesmo um orgulho para Itaguaçu e seus moradores saber que suas histórias fizeram diferença no panorama cultural do Brasil. Os relatos registrados na Noite do Canto e do Conto, antes de ser uma manifestação regional e particular, revelam a alma do povo brasileiro. São histórias de amor, coragem, conquista, susto, esperança, ousadia, confiança na vida e no ser humano. Registrar a história através da voz dos sujeitos que a constroem é um caminho seguro para uma cultura de paz.
O projeto Noite do Canto e do Conto foi classificado em 3º lugar, na Categoria Gestor Público, da 3ª edição do Prêmio Cultura Viva, do Ministério da Cultura, destinado a estimular e dar visibilidade às iniciativas desenvolvidas no âmbito da articulação entre cultura e comunicação. Uma das histórias

por Florizete Luzia Gabler Thomazini
Moradora do Laranjal, lavradora, nascida 21/08/1965.

O meu bisavô Francisco Dalprá, é natural da Itália. Ele veio de lá com treze anos. Era uma criança muito levada. Após seis meses embarcado num navio, chegou à Vitória. De lá, seguiu para Santa Teresa. Nesse dia aconteceria o batizado de Ida. No caminho para a igreja, Francisco segurou a criança no colo. O pequeno bebê fez xixi em Francisco. Neste instante, o garoto retirou do bolso um lenço e enxugou o bebê dizendo que aquela criança seria a sua esposa. Passaram-se treze anos e a fala se concretizou. Ida casou-se com Francisco. Na época ele estava com vinte e seis anos. Desta união, muitos filhos nasceram e somente a morte os separou.

22 de dez. de 2011

O Menino e sua Luz


Domingo, 18. Animada com o sol que apareceu por aqui fui andar. Ainda não havia escrito o boletim de dezembro, e a Carla perguntando, não vai enviar? Cheguei mesmo a pensar que não enviaria. Eu me via com pouco tempo pra pensar nele. Tempo de fora e tempo de dentro. Mas logo esse? E as pessoas que gostam do que escrevo? Eu não lhes deixaria meu presente? Não lhes desejaria feliz Natal?
Confesso que o apelo comercial de final de ano me desagrada. Esse tal de compra compra compra ... corre corre corre ... me tira do eixo. Esforço-me pra manter a harmonia, pois as energias do entorno tentam demover-me do centro, pra colocar-me no movimento periférico do coletivo. É um momento de fragilidade, muito por que aniversario no início do ano. Digo que estou fechada pra balanço. Ainda assim me misturei e tudo estava turvo.
Hoje o sol mostrou o caminho. Pedi luz e minha alma acendeu-se, tocada pela estrela de Belém, e ela disse, fale sobre o nascimento do Menino e seu significado. Quando jovem fiz uma escolha, nada fácil, mas a verdadeira naquele instante da minha vida. Abdiquei de ser mãe. Mesmo que a sociedade me cobrasse pela maternidade, como se só ela validasse a condição do meu feminino, mantive-me fiel ao meu espírito, com a sapiência, ainda que frágil, que eu poderia exercer a amorosidade e o acolhimento, qualidades do maternal, em diversas situações, embora não fosse gerando um filho no meu ventre. E foram vários nascimentos.
E agora, que o Menino está pra chegar, Ele me lembra de que nasceu em mim muitas vezes, e nasce sempre que crio uma história e a ofereço pros tantos meninos espalhados pela terra. Nasce, cada vez que um deles sorri e me abraça. Quando comungo com os mistérios de todos os nascimentos, seja de uma flor, seja de uma criança. E a cada ano, nessa data, Ele renasce ao me lembrar de que o amor é o caminho que me leva pra casa e que a Luz sempre retorna.

1 de dez. de 2011

Ecos da obra


Certa vez ouvi um leitor perguntar a um escritor, quando ele se deu conta de que era de fato escritor. O cara riu, pensou e disse, que apesar de já ter publicado vários livros, a constatação veio no dia que foi contemplado com um reconhecido prêmio. Naquele momento me questionei, e eu, quando me descobri escritora? Respondi a mim mesma que foi no instante que peguei na mão, o primeiro exemplar do meu primeiro livro, Dorminhoco, sentada no degrau da portaria do prédio onde morava, ansiosa que estava por abrir o pacote que acabara de chegar pelo correio. Olhei pro Dorminhoco e disse, sou uma escritora.
Recentemente revi essa afirmação. Nessas andanças de caixeira-literária tenho me encontrado com os leitores em eventos de escolas, feiras, salões, e em cada um, uma boa surpresa ao sentir o eco da minha produção. Muitos (geralmente crianças e jovens leitores) traduzem os livros através de atividades na área das artes plásticas, alguns com resultados surpreendentes. Dia desses uma turma apresentou A história da dona Cotinha, Tom e Gato Joca, numa versão cinematográfica artesanal. Eu me tornei mais criança que eles e pulava de alegria.
Porém, perceber como O florista e a gata entusiasmou um dos grupos, a ponto de eles pensarem sua realidade pelo viés da arte, me levou às lágrimas. Nesse instante, eu resignifiquei minha prática e me senti uma autora de fato, pois o livro se tornou obra, coisa viva e pulsante, sujeito com alma, um “fazedor de vínculos”. Ele não só foi aberto e lido, como chegou ao universo do leitor e repercutiu na sua vida sugerindo novas formas de olhar, indagações, deduções. Ainda que, teoricamente eu soubesse dos efeitos da literatura na vida das pessoas, por conta da leitura dos tantos textos críticos que nos mostram as ligações afetivas e as transformações que ela sugere, talvez, nunca antes isso tivesse feito tanto sentido.
Naquele instante, percebi as crianças realizando uma operação complexa, holística, que unia os conceitos, às vivências e percepções. Ao dar corpo aos seus sentimentos, por meio das relações significativas estabelecidas com a  leitura do livro, elas chegaram, ainda que sem saber, a importância da dimensão da estética nas suas vidas. Lindo. Eu agradeci e chorei.   

A estrela de Belém

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