19 de jun. de 2012

Entre Helenas e Trevisans



Por aqui há tanta novidade literária que não falta assunto para esse boletim. Inicialmente abro Helena*, a revista, e me deparo com dezenas delas. Helena, a bela. Helena, a poeta. Helena de Tróia. Descubro outras, Helenas do Paraná, ocultas entre as cento e quatorze belas páginas que marcam sua geografia, do litoral ao alto da serra, do primeiro ao terceiro planalto, entre fotos e desenhos, traços, cheiros, sabores, e acompanho a trajetória das águas do Iguaçu cruzando o território, sob o olhar perdido de uma Heleninha qualquer, para despencar nas cataratas do outro lado dessa terra da gralha azul. Aliás, essa ave é portadora de uma boa metáfora. Para quem não sabe, ela enterra o pinhão para comê-lo mais tarde, e ao esquecê-lo no solo promove o nascimento de uma nova planta. Helena, a bela dos olhos azuis já espalhou que

Do longo sono secreto
Na entranha escura da terra,
O carbono acorda o diamante.

A poeta passou discreta pela cidade, mas deixou imagens que seriam impressas no imaginário coletivo. Assim como ela, outros criadores vão lançando pinhões na terra e deixando-os dormitar no tempo, enquanto aguardam o inverno passar, recolhidos nas suas casas de dentro e de fora. Quando se vê, o pinhão já é pinheiro. E o escritor silencioso é reconhecido como o melhor do país. Entre Helenas e Trevisans há muita riqueza na cultura daqui. Que o diga, Helena, a revista. E isso que nem falei deles, do Cândido** e do Rascunho***.
Mesmo assim, lamenta-se a invisibilidade que a cidade impõe sem se dar conta da importância de enterrar o pinhão e (com licença, senhora!) pintar estrelas no muro, para ter o céu ao alcance das mãos. Helena Kolody nos mostra isso. Dalton Trevisan também. Oxalá a gente aprenda com eles.

* Helena, publicação trimestral da Secretaria de Estado da Cultura do Paraná.
**Cândido, publicação mensal da Biblioteca Pública do Paraná.
***Rascunho, veterano na publicação literária no Paraná. 

2 de jun. de 2012

I Meeting Nacional de Educação Tecnologia


"Se a educação sozinha não pode transformar a sociedade, tampouco sem ela a sociedade muda (Paulo Freire, 2000). 
I Meeting Nacional de Educação é um evento que busca trazer à discussão temas de grande relevância, bem como, relembrar e aprofundar conhecimentos e ampliar a troca de experiências entre os congressistas das várias Instituições e níveis de ensino.
Entendemos a necessidade da transformação que no que tange à estruturação dos sistemas educativos e à construção de práticas educacionais que atendam à diversidade. Por meio dos diálogos com teorias científicas pertinentes, políticas públicas, práticas pedagógicas e pesquisas realizadas na área, para que possam contribuir para um aprofundamento sobre as relações entre inclusão e educação, igualdade e diferença, na sua complexidade e multidimensionalidade, e instrumentalizar os educadores para o exercício de seu papel como agentes da inclusão sociocultural."



28 de mai. de 2012

As histórias e a cultura de paz

espetáculo Paiquerê Piquiri Fiietó

Quando me pergunto, por que eu conto histórias, digo que é (também) para fomentar a prática e ampliar o universo dos agentes de encantamento. Acho mesmo que o mundo está precisando disso. Se a gente viver com mais entusiasmo, celebrando a vida, se alimentado de enlevo, harmonia e equilíbrio emocional, coisa ruim como violência, desrespeito, desamor, passam longe e a gente consegue ir criando um mundo mais justo. Penso que é por aí. Eu caminho pela senda da subjetividade útil.

21 de mai. de 2012

Desconstruindo o medo


  
   Certa vez fui a uma escola de educação infantil contar lendas brasileiras. Entre elas a história do Papa-Figo, monstrengo herdado da tradição oral africana, um devorador do fígado das crianças mentirosas. Com uma narração lúdica e bem humorada, o conto se encaixou entre outros mais conhecidos, como Caipora e Cobra Norato. No final da apresentação, algumas crianças exorcizaram o medo me enfrentando ao dizer:
   - O Papa-Figo vai comer o teu fígado. O Papa-Figo vai comer o teu fígado.
   Eu me diverti com a argúcia dos pequenos, afinal eu contei uma mentira para eles, Papo-Figo não existe. Ao voltar à escola, a diretora comentou que no dia seguinte, várias mães reclamaram do programa narrativo, pois seus filhos ficaram com medo e não quiseram dormir de luz apagada. Na época, dez anos atrás, discorri sobre a importância dos contos na formação da criança e as possibilidades que eles abrem para se lidar com os afetos.
   Os Irmãos Grimm têm um conto que aborda esse tema. Chama-se O rapaz que saiu em busca do medo. O personagem quer experimentar esta sensação de que todos falam, mas que ele não conhece. É assim que as histórias nos preparam para a vida e nos oferecem a possibilidade de reconhecer os sentimentos por meio da sua linguagem fantasiosa. Não identificar esta qualidade dos contos significa deixar escoar pelos dedos uma rica possibilidade de aprendizagem.
   Também sugeri a retomada do tema moldando em argila o monstro que coabitava a cama das crianças, para em seguida desconstruí-lo. Essa é uma abordagem para lidar com afetos difíceis. Assumir sua presença e o desconforto que eles provocam. Impedir que a criança conviva com o medo só irá inibi-la de descobrir a coragem, pois só saberemos de um ao experimentar o outro. Ao sufocar o medo e demais sentimentos dessa natureza, apenas lhes conferimos mais poder. Mais acertado seria aceitá-los como condição do momento, trazê-los para perto e sentir o que eles têm a dizer. E no tempo certo deixá-los ir, cientes de que não fazem mais sentido. Acolher a complexidade dos afetos humanos é se educar para ser livre e ampliar a consciência sobre si mesmo.

20 de mai. de 2012

Workshop ensina a arte da narrativa

Cléo Busatto: contação é útil a diversas áreas de atuação

CCaderno G - Gazeta do Povo  

ORALIDADE
Workshop ensina a arte da narrativa
Publicado em 19/05/2012 YURI AL’HANATI


Saber contar uma história é, principalmente, saber apresentar o texto falado. A arte da narrativa e da apresentação textual é o foco do workshop Contar e Encantar: A Arte de Contar e Ouvir Histórias, que acontece hoje, das 9 às 18 horas, e domingo, das 9 às 13 horas no espaço Paz e Bem, no Bigorrilho. Ministrado pela escritora, especialista em literatura infantojuvenil e contadora de histórias Cléo Busatto, o curso baseia-se principalmente em seu livro Contar e Encantar – Pequenos Segredos da Narrativa, que serve de referência para a formação de narradores.
Mais do que contadores de histórias e profissionais do público infantojuvenil, Cléo afirma que a utilidade do curso se estende a todos os que dependem da palavra falada como instrumento de trabalho. “Quem utiliza a fala estética, de certa forma, se beneficia com a técnica da contação. Desde o professor, o advogado até profissionais da área corporativa. Saber apresentar o texto é saber torná-lo convincente”.
Para isso, a escritora divide seu workshop em quatro módulos, em que explica a estrutura oral do texto falado, a qualidade do texto escrito, a forma como a memória é armazenada, o ritmo e o ato de narrar, entre outros tópicos. “Diferentemente do teatro e outras artes que trabalham com a representação, a narrativa trabalha com a apresentação do texto. Eu trabalho com o foco na palavra. Essa técnica prioriza a questão da imagem e as intenções que o texto carrega. Por meio dessa intenção você cria uma imagem para o ouvinte e permite que ele crie sua própria imagem, sua própria história”, detalha Cléo Busatto.
A matrícula para o workshop pode ser feita pelo e-mail atendimento@cleobusatto.com.br, e dá direito ao livro escrito pela instrutora. O curso disponibiliza quinze vagas e o valor da inscrição é de R$ 275. O Espaço Paz e Bem fica na Rua Padre Anchieta, 820, e mais informações podem ser obtidas pelo telefone (41) 3024-7342.


13 de mai. de 2012

Iara, encantando as meninas

                      Dias atrás soube que as meninas adoram o vídeo da Iara. Ele faz parte do CD-ROM Lendas Brasileiras. Assista aqui.

                                                         http://youtu.be/-w7ntkCSwCk


A estrela de Belém

Arquivo do blog