Estar com um novo livro em mãos é sempre um prazer e uma grata sensação de ter conseguido materializar uma ideia. A produção literária é uma tarefa curiosa, porque pede um tempo para se construir por si só. Comigo acontece assim, eu vou reunindo as reflexões dentro de mim e depois largo, deixo que elas convivam, umas com as outras. Aí se dá uma produção subjetiva de refinada arquitetura e quando me dou conta, é só puxar o fio da história.
Agora convido você a conhecê-lo. Com ele proponho novos olhares sobre oralidade e narração de histórias, através de quatro projetos que integram as linguagens oral, plástica, cênica e sonora. O livro é um registro de trabalhos desenvolvidos com a palavra falada, durante minha prática pedagógica.
O livro é dividido em três capítulos. O primeiro, A memória e a história: fragmentos e encaixes apresenta o projeto Livro da Memória. O segundo, Puri, o sopro criador sugere a Roda da palavra e seus desdobramento. O elemento sensibilizador desse segmento é o mito de origem do povo Wapixana, A árvore de Tamoromu. No terceiro capítulo, A palavra revelada, indico duas atividades: construção do Livro-dobradura inspirado pelo conto, Mulher-Sol, homem-Lua. e Teatro de bonecos, onde oriento a adaptação para roteiro cênico do conto Cobra Norato, a construção e a manipulação dos bonecos.
O livro apresenta projeto gráfico e ilustrações de Paulinho Maia. A editoração é da Arte & textos e a produção da CLB Produções. O projeto foi realizado com recursos da Lei de Incentivo da Prefeitura Municipal de Curitiba – Fundação Cultural de Curitiba. Contou com o incentivo da Volvo e Clinipam.
O lançamento em Curitiba será no dia 06 de agosto na Bisbilhoteca, Rua Carlos de Carvalho, 1166. Estarei lá para um bate-papo com o leitor às 11hs e 15hs. Espero você.
18 de jul. de 2011
9 de jul. de 2011
Jardim de Monet
Estive em férias por alguns dias, ainda que não fosse o período mais apropriado para me ausentar. Preferi mantê-las, porque elas estavam marcadas há meses e também, porque tenho me proposto a fazer acontecer esses intervalos de pausa, mesmo que seja durante períodos tumultuados. Olhar de fora esses momentos é um privilégio.
Decidi visitar o espaço onde Monet morou e criou sua obra. Com um entorno tão favorável a criação devia fluir harmonicamente. Os jardins de Monet são um modelo de diversidade. Tudo se mescla, cores, formas e perfumes. Eles foram construídos, pensados, traçados, mas as flores se misturam tão espontaneamente, que se chega a pensar que nasceram e cresceram sem a intervenção humana. As espécies interagem e se aceitam como são, algumas mais feias, outras mais bonitas. Da mais comum a mais sofisticada, elas mantêm sua personalidade.
Penso nas relações humanas e na dificuldade que temos de aceitar o feio, o torto, aquilo que segundo nossos critérios, não combina com as nossas boas qualidades. Rejeitamos o que não está completo, o que se choca com os padrões de bom comportamento. Aceitamos o que foi convencionado como desejável socialmente e nos inflamos de teorias para justificar e julgar o que não é do nosso agrado.
No jardim de Monet encontro o tom da reflexão. As flores tortas e já despetaladas também têm espaço por lá.
Decidi visitar o espaço onde Monet morou e criou sua obra. Com um entorno tão favorável a criação devia fluir harmonicamente. Os jardins de Monet são um modelo de diversidade. Tudo se mescla, cores, formas e perfumes. Eles foram construídos, pensados, traçados, mas as flores se misturam tão espontaneamente, que se chega a pensar que nasceram e cresceram sem a intervenção humana. As espécies interagem e se aceitam como são, algumas mais feias, outras mais bonitas. Da mais comum a mais sofisticada, elas mantêm sua personalidade.
Penso nas relações humanas e na dificuldade que temos de aceitar o feio, o torto, aquilo que segundo nossos critérios, não combina com as nossas boas qualidades. Rejeitamos o que não está completo, o que se choca com os padrões de bom comportamento. Aceitamos o que foi convencionado como desejável socialmente e nos inflamos de teorias para justificar e julgar o que não é do nosso agrado.
No jardim de Monet encontro o tom da reflexão. As flores tortas e já despetaladas também têm espaço por lá.
23 de jun. de 2011
Workshop nas férias - Contar e Encantar
Que tal mergulhar na magia da arte de contar histórias?
O próximo workshop que irei ministrar será nos dias 23 de julho - sábado , das 9hs às 18hs e 24 de julho - domingo, das 9hs às 13hs.
No programa irei abordar
- a história como sujeito.
- a memória como espaço mítico.
- a técnica como caminho.
- o repertório como meio e
- a narração como um ato de entrega.
A inscrição dá direito ao livro Contar e encantar – pequenos segredos da narrativa, Editora Vozes.
O próximo workshop que irei ministrar será nos dias 23 de julho - sábado , das 9hs às 18hs e 24 de julho - domingo, das 9hs às 13hs.
No programa irei abordar
- a história como sujeito.
- a memória como espaço mítico.
- a técnica como caminho.
- o repertório como meio e
- a narração como um ato de entrega.
A inscrição dá direito ao livro Contar e encantar – pequenos segredos da narrativa, Editora Vozes.
14 de jun. de 2011
Desempacotar as emoções
Quando se está aberto para receber vem um presente atrás do outro. Maio foi o mês de Itaguaçu. Quinze dias na cidade de quinze mil habitantes, plantada no interior do Espírito Santo. Bendito Espírito Santo. O que coloca no meu caminho mil e quinhentas crianças encantadas, pequenas faíscas de luz pipocando em olhos multicoloridos? Quando estamos prontos, as coisas chegam redondinhas, saborosas, feito os quitutes da cidade. Ah, os pães de Itaguaçu... Só mesmo mãos generosas para sovar aquela maciez. E os presentes vêm na forma de fruta, doce, comida, sorrisos e abraços. A gente fica gorda de tanto afeto e o peito expande, quando se toma conhecimento dos significados que a Feira Literária lançou na cidade. Um menino diz que para ele, a feira despertou a beleza com o encantamento das apresentações e o sentimento espiritual. Ora, também fiz parte desse processo, que para essa criança se revelou no Belo e no Mistério e gerou sua fala inspirada, registrada num bilhete escrito a lápis e com letras tortas.
Depois, os presentes vieram do workshop de narração de histórias. Foram tantos. Uma participante diz, ela nos desempacotou. A menina de nove anos conta sua história com estrutura literária, e em seguida chora ao falar da saudade que sente do irmão, que morreu recentemente. Só dá mesmo para acolher e acalentar pela via do poético e do sensível. A história como sujeito. A memória como espaço mítico. A técnica como caminho. O repertório como meio. A narração como um ato de entrega. Foi por aí que a gente andou naquele final de semana friozinho e de céu azul.
Como dimensionar a forma com que nossa arte e expressão chegam até o outro? Como saber o que vamos provocar, quando desempacotamos emoções? Não sei. Sei apenas que é importante estar sempre como um grande coração, silencioso, escancarado, afável e receptivo. Aí não paramos de receber dádivas. E penso na formação do profissional da educação. Nas práticas e teorias, aprisionadas e empobrecidas, porque restritas a dualidade corpo/mente. E penso num processo por onde se pode transitar desse modelo binário de ver e atuar no mundo, para outro, circular e ampliado pelas múltiplas inteligências, pelas múltiplas dimensões, que abarca também o mítico e o sagrado no cotidiano. Dessa forma, dá para gente abrir as mãos e voltá-las para cima e aceitar o que vem do alto, ainda que isso nos provoque alguma dor. Mas só assim nos tornaremos mais inteiros e por fim mais felizes e gratos pelo que a vida nos dá.
9 de jun. de 2011
Histórias para esquecer do frio
Num bilhete na cadeira se lê:
Comece fazendo o que é necessário. Depois o que é possível.
E de repente você estará fazendo o impossível.
Dito por São Francisco de Assis.
Espaço Paz e Bem.
Clique na Páginas ao lado e veja o que aprontamos
28 de mai. de 2011
A arte de cara nova
Eu insisti numa cara nova para o livro A arte de contar histórias no século XXI. Fui ouvida pela Vozes e o novo livro chegou. Na 3ª edição, ele ganhou um novo ar, mais conectado com o seu conteúdo, mais inspirador. A capa é um elemento importante para um livro; é sua apresentação; é quando ele diz alô para o leitor. Muitas vezes somos atraídos por uma capa. Só depois é que vamos ler as orelhas, folhear, e ler seu conteúdo. Eu gostei do resultado. E você?
16 de mai. de 2011
Entusiasmo e a condição de se manter dócil
Às vezes temos a impressão de estar no olho do furacão. As coisas acontecem vertiginosamente, sem nos dar tempo para elaborá-las. É fácil ser tomado pela cólera, perder o rumo, a cabeça, o humor. Na manhã de embarque para Poços de Caldas, rumo a Flipoços, descobri que estava sem a carteira de documentos, cartões... esses passaportes para o cotidiano. Claro, não embarquei. No primeiro momento veio um ”não acredito, não acredito”. Atenção, Cléo. Respirar, rir e solucionar, dizia a voz pacificadora. E lá vou eu, noutro voo, no final do dia, com mais algumas horas de estrada pela frente, dormir tarde, acordar cedo, cansaço, etc etc etc. Se não fosse a falta de atenção poderia ter feito o mesmo trajeto com mais tranquilidade, dizia a voz crítica e julgadora. Serena, serena, sugeria a voz do bem. E nesse impasse com as vozes internas, cheguei à cidade, até mais cedo do que previ. Cai num sono intenso.
No dia seguinte, a poucos momentos da abertura do evento, me dei conta que estava feliz por estar lá e falar aos professores sobre esse assunto que me encanta: oralidade e leitura literária. Mas, mais feliz ainda eu estava, por ter vivido os imprevistos do dia anterior com calma e por ter mantido a doçura comigo mesma. Naquele momento eu estava bem e alegre e era esse ânimo, essa energia que permearia minha fala. Assim foi. Deslizou.
Mais tarde, andando de volta ao hotel, cruzei com um professor que estava na palestra. Ele veio me cumprimentar e observou que meu entusiasmo foi contagiante. Sim, eu disse, acho importante estar neste estado de exaltação do espírito, por que isso implica em manter vivo o sopro criador, que nos faz cúmplices e participantes da vida. Entusiasmo é a força que me inspira, anima e me propulsiona a criar com amor. Isso quer dizer carregar Deus dentro de mim. Não dá para negar a dimensão do sagrado, nem mesmo numa fala científica. Creio que essa realidade deve ser vivida no dia-a-dia, não apenas nos templos. Sem ela a vida se torna árida e sem sentido.
Reafirmo em cada encontro literário, em cada discurso sobre os efeitos e afetos da leitura literária, a urgência em recuperar as dimensões não passíveis de experimentação, mas tão reais quanto distinguir um copo de água de um copo de vinho. Pneuma e psyché devem voltar a andar juntas com soma. Esse é o desafio da educação na contemporaneidade, integrar o que foi fragmentado e humanizar o ato de educar. Entusiasmar meus comparsas, esse é o tom.
Dias 4 e 5 de junho, workshop Contar e Encantar, em Curitiba.
No dia seguinte, a poucos momentos da abertura do evento, me dei conta que estava feliz por estar lá e falar aos professores sobre esse assunto que me encanta: oralidade e leitura literária. Mas, mais feliz ainda eu estava, por ter vivido os imprevistos do dia anterior com calma e por ter mantido a doçura comigo mesma. Naquele momento eu estava bem e alegre e era esse ânimo, essa energia que permearia minha fala. Assim foi. Deslizou.
Mais tarde, andando de volta ao hotel, cruzei com um professor que estava na palestra. Ele veio me cumprimentar e observou que meu entusiasmo foi contagiante. Sim, eu disse, acho importante estar neste estado de exaltação do espírito, por que isso implica em manter vivo o sopro criador, que nos faz cúmplices e participantes da vida. Entusiasmo é a força que me inspira, anima e me propulsiona a criar com amor. Isso quer dizer carregar Deus dentro de mim. Não dá para negar a dimensão do sagrado, nem mesmo numa fala científica. Creio que essa realidade deve ser vivida no dia-a-dia, não apenas nos templos. Sem ela a vida se torna árida e sem sentido.
Reafirmo em cada encontro literário, em cada discurso sobre os efeitos e afetos da leitura literária, a urgência em recuperar as dimensões não passíveis de experimentação, mas tão reais quanto distinguir um copo de água de um copo de vinho. Pneuma e psyché devem voltar a andar juntas com soma. Esse é o desafio da educação na contemporaneidade, integrar o que foi fragmentado e humanizar o ato de educar. Entusiasmar meus comparsas, esse é o tom.
Dias 4 e 5 de junho, workshop Contar e Encantar, em Curitiba.
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